Resenha #182 - O Sétimo FIlho (As Aventuras do Caça-Feitiço)!



Ficha Técnica
Coleção: As Aventuras do Caça-Feitiço
Título: O Sétimo Filho
Autor: Joseph Delaney
Editora: Bertrand Brasil
Edição: 1
Ano: 2015
Idioma: Português
Especificações: Brochura | 512 páginas
ISBN: 978-85-2862-015-3
 Sinopse
Livro que deu origem ao filme estrelado por Ben Barnes e Jeff Bridges Em um mundo dividido entre luz e trevas, John Gregory, o Caça-Feitiço, é o sétimo filho de um sétimo filho e mantém uma cidade do século XVIII relativamente bem e longe dos maus espíritos. No entanto, ele não é mais jovem e suas tentativas de treinar um sucessor foram todas mal sucedidas — os pouquíssimos que terminaram o aprendizado são medíocres ou fracos ou covardes, e não se igualam a ele. Sua última esperança é um menino chamado Thomas Ward, também sétimo filho de um sétimo filho. De alguma forma, Thomas terá de aprender a exorcizar fantasmas, deter feiticeiras e amansar ogros que surgem sempre que o sol se põe. Seu primeiro desafio será grande: ele terá de enfrentar a Mãe Malkin, a mais terrível e poderosa feiticeira do Condado.
Cortesia Editora Bertrand Brasil (Grupo Editorial Record)

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AVALIAÇÃO PESSOAL
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A aclamada série literária de Joseph Delaney chega as telonas neste mês de março, e em comemoração, a editora Bertrand Brasil preparou uma nova edição especial. Focada nos dois primeiros livros da série As Aventuras do Caça Feitiço, a adaptação ganha versão literária sobre o título de O Sétimo Filho, em uma edição simplista, mas muito chamativa, tendo ilustrações e na capa, o principal pôster do filme. Mas apesar de todas as diversas críticas positivas que o livro arrecadou, a leitura não me prendeu tanto quanto esperava, e irei argumentar um pouco mais logo abaixo. 


Como citei, a edição especial trás os dois primeiros livros da série, intitulados, O Aprendiz e A Maldição, e embora pouquíssimos detalhes tenham sido adicionados ao longa, vamos nos focar na leitura e na narrativa de Delaney.


Devíamos aceitar as pessoas como são, sem depender da opinião dos outros.

O primeiro volume da série, tem um gostinho bem forte de introdução, então, se você não conhece a narrativa de Delaney, prepare-se para ser apresentado a ela. 

Na trama, conheceremos Tom, o sétimo filho de um sétimo filho, criado desde criança em um pequeno sítio, afastado de tudo e de todos. Desde cedo, sempre se sentiu meio perdido, devido a ter que dividir espaço com mais seis irmãos, e além disso, nunca desejou passar o resto de sua vida trancado no fim de mundo onde vive. Ele anseia se aventurar por outras terras, e tentar encontrar sua própria vocação. Mas não é só o fato de não ter nenhuma aptidão que transforma Tom em alguém diferente. Ele vê coisas que os outros não podem: ele tem potencial para ser um caça feitiço, uma entidade que luta para manter o equilíbrio na Terra e derrotar as trevas.

No seu aniversário de 12º anos, o velho Gregory chega a sua caça em busca de lhe levar para seu treinamento, como seu novo aprendiz, mas ser um caça feitiço exige praticamente muito da vida de uma pessoa, mas do que talvez Tom estivesse disposto a pagar, e neste mundo repleto pelo impossível, ele enfrentará uma perigosa inimiga, a muito temida por todos; a sombria feiticeira Mãe Malkin, que está se reerguendo e ameaçando a paz no Condado.

Para um primeiro livro, a leitura foi bem parada. Como citei acima, este volume tem realmente um ar introdutório, e embora o fervor supersticioso esteja presente em toda a obra, fica difícil se prender a algum capítulo em particular, levando-se em consideração que são pouquíssimos momentos onde realmente acontece ação ou emoção. A trama criada por Delaney é sem dúvidas espetacular, e seu mundo, belamente maligno. Embora pareça um velho conto para crianças, ao autor não poupou esforços para introduzir todo um clima meio tenebroso e apreensivo. São páginas e mais páginas de pura curiosidade, onde tudo é pouco. O mesmo já não posso dizer dos personagens. Centralizaremos Tom, principal alvo da obra. O livro é escrito em primeira pessoa, de forma que o leitor fique por dentro de todos os sentimentos que o protagonista está sentido. Isso foi, sem dúvidas um ponto fraco para o livro, levando-se em consideração os diversos outros elementos que não puderam ser tão explorados já que todo o enredo está voltado inteiramente aos olhos de Tom. Talvez a leitura fluísse com bem mais facilidade se estivéssemos lendo uma narrativa em terceira pessoa. Mas não é de longe o ponto que mais me incomodou. Tom, apesar de ser um protagonista obstinado e corajoso, em diversos momentos me chateou demais, e não pela infantilidade ou tolice de seus atos, mas pela falta de seriedade que algumas cenas exigiam. O personagem é apenas isto, criança, e não muda sua visão até que o livro chegue a seu fim. Para um principal, não o considerei tão bem estruturado e menos ainda cativante. Tolo e influenciável, em algumas partes do livro, sua ingenuidade chega ao ponto de ser apelativa e muito repetitiva. Nem mesmo um garoto de doze anos seria tão ignorante quanto Tom em diversos eventos parece ser. Mas Gregory também não fica para trás. Embora envolvido por um ar enigmático e muito instigante, o molde do personagem segue o mesmo do de Tom, e não apenas ele, mas todos os outros que surgem conforme o enredo se desenrola. Acredito que faltou um UP de adrenalina e uma narrativa mais dinâmica para tornar a leitura mais agradável e menos cansativa e maçante.


Nenhum de nó é inteiramente bom nem inteiramente mau, somos um meio termo.

No segundo volume da série, Tom passou seus primeiros seis meses ao lado do caça feitiço. Enfrentou monstros e sobreviveu a momentos que jamais imaginou sobreviver; mas sua batalha está longe de acabar. Quando misteriosamente o irmão de Gregory começa a correr risco de vida, Tom e o velho caçador seguem para a cidade de seu passado, em busca de enfrentar um antigo inimigo: o Flagelo, um espírito sombrio que vem ganhando força aos poucos. Mas uma ameaça inesperada pode atrapalhar a vida dos dois. Enquanto isto, novas provações começam a surgir para Tom, cercando-o ainda mais pelo impossível.

Neste volume Joseph Delaney amadureceu sua narrativa, cresceu seus personagens e o que antes não tinha vida, começa a mudar. Focado em um período gótico e tenebrosamente delicioso, o autor vai tecendo fortes críticas a dominação religiosa da Inquisição, não poupando esforços em retratar a realidade nua e crua de uma época de opressão. Em A MaldiçãoDelaney questiona os dogmas religiosas e a veracidade das entidades seguidoras de Deus em nossa realidade. Estranhamente fabuloso, é incrível as contradições que o autor consegue passar para seu leitor, conforme a trama vai se desenrolando e o que antes parecia previsível, vai te surpreendendo. O ponto negativo novamente está na forma de narrar do livro. Outra vez em primeira pessoa, o leitor fica preso a visão de Tom mais uma vez, e embora sua ingenuidade e imaturidade não existam mais neste livro (as cenas sangrentas e apavorantes agora fazem jus ao contexto do personagem), o universo de Delaney é impressionantemente curioso, de forma que o leitor precisa conhecer mais, quer mergulhar mais fundo, mas a narrativa presa, impede este desejo. Uma abordagem em terceira pessoa seria muito mais valorosa. Além disso, o livro se alongou mais que o necessário e mesmo com diversas cenas de tirar o fôlego ou criar todo um clima arrepiante, já que as histórias de Delaney sempre remetem a um lado meio sombrio e horrível, o imenso número de páginas e repetição constante de escolhas dos personagens, torna tudo um pouco cansativo, em determinadas partes. Claro, existem divergências. A escrita de Joseph Delaney é viciante, mas talvez sua escolha de narrador seja seu erro fatal. As Aventuras do Caça Feitiço é um livro misterioso, ao ponto de inspirar curiosidade. Uma série promissora, que provavelmente guarda mais e mais surpresas para chocar seu leitor.




Joseph Henry Delaney, conhecido como Joseph Delaney, (Londres, 25 de Julho de 1945) é um ex-educador e, atualmente, um autor de ficção científica e livros de fantasia. Delaney aposentou-se de sua posição como um educador, a fim de dedicar suas energias na carreira de escritor em tempo integral. Ele mora em Lancashire, Inglaterra, com sua mulher. Tem três filhos e quatro netos.








15 comentários

  1. Oi, David!

    Acho um pouco chatinho quando o primeiro livro de uma trilogia ou série é muito introdutório, fico com a sensação de que nada está acontecendo e me deixa um pouco desanimada para a continuação.

    Esse lance de sétimo filho de um sétimo filho soou tão profético. rs Mas não me interessei pela série. :/

    Beijo,

    Samantha Monteiro
    http://www.wordinmybag.com.br/

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    1. Oi Sam!
      Sabe, é uma série para ser lida com paciência. O segundo volume evoluiu muito em comparação com o primeiro, mas no momento, não estou tão voltado ou suficientemente pronto para arriscar no incerto.

      Abraços
      David Andrade
      http://www.olimpicoliterario.com/

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  2. Acredita que eu não conhecia esse livro? E muito menos o filme.. Não acredito que nunca ouvi falar e estou perdendo um livro tão bom (segundo sua opinião).

    www.booksever.com.br

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  3. Ola David não conhecia o livro, vi o trailer do filme e fiquei muito entusiasmada , mas lendo sua resenha com nota três e sendo um livro meio parado, já me desanimou um pouco. Irei assistir o filme primeiro quem sabe mudo de opinião e leio o livro .


    Joyce
    www.livrosencantos.com

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  4. Olá =)

    Apesar do tema me chamar atenção, não é um livro que me interessou muito. Acredito que não estou com muita paciência para lidar com livros que precise de paciência para detalhes, sabe? Apesar disso gostei da sua resenha :)

    Beijos
    http://www.estantedarob.com.br/

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  5. Olá!!

    Eu confesso que curto livros introdutorios, maaas se fica muito repetitivo acaba me cansando e eu acabo desistindo.
    Acho muito legal essas criticas impostas nos livros pois acabamos nos vendo o que está em nossa volta e tentamos mudar as coisas.

    Ótima resenha!


    Beijinhos,
    www.entrechocolatesemusicas.com

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  6. Pena que não gostou tanto assim, mas sua resenha me deixou um pouco interessada. Nem sabia que tinha livro, só vi o anúncio no cinema.
    http://diario-noturno.blogspot.com.br/

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  7. David, admito que fiquei meio desapontada ao saber que não é assim tão bom. Quero ler a série há muito tempo, mas são vários livros e compensa mais comprar o box, mas estava um pouco receosa apesar de achar a premissa interessante. Bom que eu ainda não tenha comprado, quando eu tiver a chance, vou comprar o primeiro ou essa nova edição, se eu gostar continuo.
    E isso de ar completamente introdutório é um erro fatal para o início de uma série, o(a) autor(a) tem que saber balancear entre introdução e história/aventura, vários leitores desistem de uma série inteira por esse motivo, e admito, eu acho que eu também.
    Bem, você disse que no segundo melhora, e que apesar de uma narrativa fraca, o mundo do
    livro tem potencial, gosto disso. Vou dar uma chance, vai que eu tenho uma opinião diferente, e são vários livros, vai que o ritmo só melhore, haha.
    Até mais, ótima resenha parabéns!
    www.nossosmundos.com

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  8. Oi David.
    Sempre fui doida pra ter essa série na estante, mas com a capa antiga, linda demais, não gosto dessas versões com capa de filme.
    Fiquei surpresa com sua avaliação, porque como você disse essa é uma série onde as críticas são super positivas. Mas gostei de conhecer uma opinião controversa, assim abaixo minhas expectativas.

    Beijos.
    Leituras da Paty

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  9. Oi David,

    Confesso que não conhecia o livro, acho muito legal expressarmos o que pensamos e sentimos e quero parabenizar por expor a sua visão, na realidade mesmo que uma obra tenha um número enorme de percepções positivas, muitas vezes não agradam 100% outras pessoas e creio que precisamos ser fiéis a nós no sentido de colocar o que pensamos.
    Achei interessante o livro, mas me desmotivou o fato de ser trilogia, ainda estou fugindo delas por ter muita coisa para ler.

    beijos
    Tânia Bueno
    www.facesdaleiturataniabueno.blogspot.com.br

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    1. Oi Tania!

      Ahh, mas arrisque assim mesmo. Talvez tenha outra visão. Não é uma trilogia viu querida. É uma série. Serão 13 volumes, sendo que aqui no Brasil já tem 10 volumes lançados pela Bertrand :D e as capas são mais lindas.

      Abraços
      David Andrade
      http://www.olimpicoliterario.com/

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  10. Pena que a leitura não te prendeu tanto quanto você esperava, sempre ouço mil elogios a respeito dessa série. Não sabia dessa edição especial não, mas não curti a capa, então se eu for comprar vai ser a edição original mesmo, acho as capas muito mais bonitas. Acho normal o primeiro volume ter um ar introdutório, na verdade até prefiro assim, tenho lido alguns primeiros livros repletos de ação e sem muitas explicações, e isso é que costuma me incomodar, então acho que gostaria dele mais do que você. E que bom que no segundo volume já deu pra sentir o amadurecimento do autor. Não estou lendo novas séries no momento, mas tenho vontade de ler essa no futuro.

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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  11. Oi David, tudo bem? Eu acho que já tinha ouvido falar nesse livro antes, mas não me lembro. Enfim, a sinopse parece ser interessante, mas não faz muito meu estilo, então não leria. E acho que o grande problema foi a narrativa ser em primeira pessoa... eu gosto muito de livros em primeira-pessoa, mas dependendo da história e da quantidade de ação e personagens, simplesmente não funciona, pois a gente fica presa ao que o protagonista pensa e está vivendo. Acho que isso resume bastante, a história fica bem presa mesmo.

    Que bom que o segundo livro deu uma melhorada em relação ao primeiro no quesito de desenvolvimento do protagonista.

    Ótima resenha!!

    Beijinhos,

    Rafaella Lima // Vamos Falar de Livros?

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  12. Oi David, tudo bem?
    Não curto livros desse gênero então não me interessei, já achei chatinho na sinopse esse lance de sétimo filho do sétimo filho. Depois de ver que você só deu 3 estrelas me desanimei mais ainda, então passo essa leitura sem medo.

    Bjs, Glaucia.
    www.maisquelivros.com

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  13. Oi David, tudo bem??

    Eu não me interessei muito pela história do livro... na verdade achei o enredo meio cansativo. Porém, percebi que o segundo livro te contagiou mais... porque parece que o personagem cresceu e o autor amadureceu sua escrita... assim fica melhor... e tão bom como podemos observar isso não é mesmo?? Xero!

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