Resenha #185 - Sereia Negra!



Ficha Técnica
Título: Sereia Negra
Autor: Vinicius Grossos
Editora: Selo Jovem
 Sinopse
Sereia Negra - “Um peixe fora d’ água” – foi exatamente assim como Inês se sentiu a vida toda. No seu aniversário de quinze anos, Inês têm todos os seus sentimentos de revolta aflorados de forma aplacável; seu pai a abandonou assim que ela nasceu, sua mãe morreu no parto, ela nunca teve amigos, nem nunca se sentiu atraente o suficiente para os meninos com quem tivera contato. É então que Inês decide que sua vida deve ter uma mudança radical. Mal saberia ela que essa mudança estava mais próxima do que ela imaginava...
Numa tempestade repentina e sobrenatural, Inês é tragada pelos mares – tragada pelo seu mundo. Inês é uma sereia. E mais do que isso, ela é uma lenda viva – um ser aguardado por todas as sereias e tritões de Atlanta, um dos vários reinos que existem abaixo do mar sem o conhecimento dos humanos, como a grande salvadora deles. Inês é a Sereia Negra, a única sereia de cor negra de toda a história!
Mesclado de fantasia e magia, lendas gregas e brasileiras, somado a um retrato da nossa realidade social, Sereia Negra promete te mostrar uma nova visão não só desses seres fantásticos, mas de questões da vida que vão além da fantasia.
Cortesia Editora Selo Jovem


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AVALIAÇÃO PESSOAL
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Inês é uma garota que por ter nascido negra e com os cabelos encaracolados, aprendeu desde muito cedo o lado mais feio dos seres humanos, o preconceito. Orfã desde pequena, devido à morte da sua mãe durante o seu nascimento e o desaparecimento misterioso do pai, ela foi criada por seu avô materno, que lhe ensinou a nunca baixar a cabeça diante dos insultos com que tinha que conviver diariamente.

É chegada à data do seu aniversário de quinze anos, e com ela, as lembranças mais melancólicas de sua existência. Revoltada por sua condição, Inês resolve descontar o ódio que sente em seus pobres peixinhos dourados, lançando-os ao mar, nas proximidades de sua casa. Antes que possa ser impedida por seu avô, Inês chega até as águas marítimas, porém quando seus pés entram em contato com água do mar algo estranho acontece, uma grande tempestade se desencadeia, arrastando-a para as profundezas do oceano, separando-a do único ente querido que já conheceu em vida.

Ao acordar depois de um período de tempo indeterminável, Inês se dá conta de que não está utilizando suas roupas habituais, que muito menos está vestindo alguma coisa. No lugar de suas pernas, brota da sua cintura uma cauda semelhante a dos peixes, porém completamente negra e revestida de escamas que brilham em diferentes tons arroxeados dependendo da luz, assim como os seres mitológicos que atraiam os marinheiros para morte, Inês se dá conta do que ela se tornou... Uma sereia. Mas não qualquer sereia, A Sereia Negra, hibrida nascida entre seres do mundo terreno e aquático, carrega nos ombros o destino, há muito tempo estipulado pelos deuses, de se tornar a salvadora daqueles com quem jamais teve contato antes, os seres aquáticos dos quais ela acaba de descobrir que faz parte. Porém diante de tantas novas informações, Inês terá de aprender a lidar com essa nova parte de si antes de tomar qualquer decisão.

– A cor da minha alma? Não sei. Deve ser preta e arredia; como sinto que meu interior é. Também, como poderia ser diferente? Nunca tive ninguém para acrescentar um pouco de cor à minha alma.”

Com acontecimentos que se desenrolam em ritmo de novela, Vinícius Grossos se espelha nos seres mitológicos aquáticos para criar seu mundo ficcional, mesclando lendas nacionais e internacionais em uma obra para ser lida em um único fôlego. Durante a leitura senti que poderia passar mais tempo me aprofundando nas águas da narrativa de Grossos, mas me faltaram páginas para isso, já que o livro não é tão longo quanto eu gostaria que fosse.

Três fatos me chamaram a atenção na história de Sereia Negra: o primeiro, foi a criatividade e valorização dos elementos nacionais na obra, como reinventar a lenda da personagem Iara, criando toda uma história por trás da lenda. O segundo ponto, é o jogo temporal presente na obra, a noção de tempo que a protagonista apresenta em diversos momentos da narrativa se apresenta distorcida, não sendo possível ter certeza de quanto tempo se passa durante toda a história, podendo inclusive ser uma questão de anos, meses ou dias, e o final da obra contribui para que fiquemos na dúvida se o que aconteceu com Inês foi realidade ou alguma espécie de devaneio arquitetado por sua mente.

E o terceiro, foi trazer a tona a questão do preconceito no Brasil, mesmo que todos nós saibamos que fazemos parte de uma cultura extremamente miscigenada, uns e outros ainda se utilizam da cor da pele para descriminar e tentar humilhar aqueles que o cercam, como ocorre com Inês. Enfim, como já falei anteriormente, é uma obra que peca por não nos deixar compartilhar por mais tempo de sua companhia.



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