19 maio 2015

Resenha #10 - O Vórtex Negro (Trilogia Insígnia)!



Ficha Técnica
Série: Insígnia
Título: O Vórtex Negro
Autor: S.J Kincaid
Editora: V&R Editoras
Edição: 1
Ano: 2014
Idioma: Português
Especificações: Brochura | 424 páginas
ISBN: 978-85-7683-660-5
 Sinopse
O impossível era só o começo. Agora, no segundo ano de treinamento como uma arma sobre-humana do governo, Tom e seus amigos são cadetes de Nível Intermediário na tropa de elite das Forças Intrassolares. Encorajado a trair seus ideais e amizades pelo bem do país, Tom se convence de que tem de haver outro jeito. E, quanto mais se dá conta da corrupção que o cerca, mais ele se compromete em combatê-la, mesmo que isso sabote seu próprio futuro no processo, mas isso pode lhe custar o que ele mais ama. Repleto de ação, inteligência e humor, o segundo livro da trilogia Insígnia continua a explorar perguntas fascinantes e atuais sobre poder, política, tecnologia, lealdade e amizade.


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AVALIAÇÃO PESSOAL
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Além do impossível 

No segundo volume de sua trilogia, S. J. Kincaid não deixa o nível da narrativa cair, e com tiradas humorísticas hilárias e críticas muito bem aplicadas, garante que O Vórtex Negro seja um volume tão excepcionalmente fenomenal quanto seu antecessor. 

Tom foi finalmente promovido a cadete intermediário, e agora, seu sonho de ser um combatente está cada vez mais perto. Infelizmente, porém, quanto mais perto chega de seu objetivo, mas ele parece distorcido, em pró de uma guerra que não lhe parece certa. Frente aos executivos patrocinadores, individualistas, Tom se verá no dilema de tentar fazer certo e agir como seus ideais mandam, ou sobreviver, acatando as ordens absurdas que parecem vir, mais e mais. Um perigo ainda maior se aproxima, e desta vez a vida das pessoas de grande importância para Tom, está em risco.

O volume já começa de maneira que seja totalmente impossível ao leitor, largá-lo, já visualizando Tom e seu pai em uma primeira enrascada que promete guiar todo o enredo ao seu desfecho. Novamente com um brilhantismo inteiramente seu, Kincaid elabora um enredo instigante, com fortes críticas bem construídas e um apurado detalhado de personagens bem descritos e trabalhados. Até mesmo seus vilões, feitos para serem automaticamente indesejados, surtem efeito contrário ao leitor, de forma que vão ganhando cada vez mais essa características humanística e transformando nossos sentimentos em uma confusão. 

As críticas sociais deste livro estão a flor da pele, assim como nosso protagonista, Tom, que estava cada vez mais em seu limite. Temáticas como corrupção governamental e jogo de poder serão facilmente encontrados na obra. É surpreendente também o conhecimento sociológico que a autora aparenta ter da sociedade, e histórico também, levando-se em consideração o grande número de referências que sempre faz, a eventos históricos reais. O enredo distópico de Kincaid é um dos mais bem amarrados que tive o prazer de conhecer, não só pelo bom entrosamento e segurança que a autora transmite a seus leitores pelas palavras, mas também pela não localização de falhas ou esquecimentos. Não a um só momento no segundo volume em si que algum detalhe acabe por escapar. Tudo está estreitamente ligado, e será fechado, ao desfecho. E isso é brilhante, de uma maneira que sufoca o leitor mais e mais, com suas ações desmedidas e humor ácido. 

Qualquer dia vou preferir um interesse pessoal sem paixão a uma consciência. É bem mais previsível.

Como não citar uma das minhas personagens favoritas? Wyatt ganhou ainda mais destaque neste livro e sua história parece cada vez mais interligada com a do protagonista, de forma que seja impossível (pelo menos para mim) não torcer por um futuro casal. A magnífica seleção de Kincaid para elaborar personagens é o ápice de suas obras. Eles não são coisas fictícias e rasas, mas ganham uma profundidade tão irreal que chega a ser assustador o quanto refletem bem a realidade. Wyatt é cada vez mais estruturada ao enredo central, de forma que uma cena sem ela é como um livro em um vazio. Sem contar que protagoniza, em suma, as cenas mais inteligentes ou engraçadas. Mas não foi só ela que roubou a cena. Blackburn, o capitão durão, a quem Tom sempre temeu mostrou-se mais firme neste segundo volume, não só participando mais, como tendo aparições de suma importância para o enredo principal. Sua característica meio amigo / meio vilão, são seu charme particular, além de reservar os diálogos mais profundos e a história mais sombria. Sem dúvidas é mais um personagem com provável significação ao fim que se aproxima. 

O vilão não também, desta vez, abalou. Verengov é o temível e odiado antagonista que estávamos esperando. Enquanto que no primeiro volume sua presença parece mera menção, agora, novas redes se entrelaçam e formam um foco maior em sua trama, envolvendo-o totalmente com o protagonista, Tom. Sem dúvidas, altas expectativas somam-se para o futuro deste personagem.

Não foi apenas a trama que ficou mais perigosa e sombria neste volume, mas também seu protagonista. Tom visita cantos de sua mente que no primeiro não são explorados. Dúvidas, capacidades e medos são testados, e por mais perigos que esteja correndo, em momento algum ele parece desfazer-se de seu orgulho pessoal, de se rebaixar ao pé dos outros. O orgulho de Tom ora bom, ora ruim, é sua característica humana mais chamativa, e uma das que mais gostos. Não só demonstra um lado natural do personagem, como também fortifica a empatia que você acaba adquirindo por ele. Não são meras transformações a qual ele passará em O Vórtex Negro, mas sim uma total mudança, que gerara as mudanças finais para a guerra. Para um protagonista, nota infinita, pelo trabalho excelente que a autora desenvolveu ao criar um personagem tão atraente, verdadeiro e humano como Tom

Depois da perda de todos os seus amigos, e de seu futuro, era quase como se as coisas tivessem se tornado normais. Ele sabia como era se sentir sem raízes. Sabia o que era não ter nada a frente. Sabia o que era não ter nenhum ligação. Essa coisa que tanto receara enfim havia acontecido, mas não era um choque intenso, e sim uma espécie de atmosfera sombria familiar que descia sobre tudo." 

 

A edição não peca novamente. Uma capa recheada de significação, vem cromada por números, como se você visse códigos e mais códigos computadorizados surgirem. A revisão ficou ótima, embora em alguns momentos, alguns erros de digitação tenham passado despercebido e acrescentado ou cortado palavras, mas nada que venha a influenciar na leitura. Dividido em vinte e seis capítulos, narrado em terceira pessoa, O Vórtex Negro é a pedida certa para quem estava em dúvida sobre se deve ou não continuar a trilogia, prometendo ainda, em seu desfecho, uma sequencia ainda mais eletrizante.





Nasceu no Alabama, cresceu na California, mas foi vivendo do lado de um cemitério mau assombrado na Escócia que descobriu que queria ser escritora. Seu livro de estreia foi sucesso internacional recebendo diversos prêmios e honrarias.









Um comentário:

  1. Ainda não li o primeiro livro da série, mas fiquei bem entusiasmado após ler a sua resenha. Parece ser um livro incrível e exatamente do gênero que eu gosto.
    Excelente dica!

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