Coluna: Papeando com o Leitor #3!


Shadowhunters: Impressões, Análise e Comparações




Oi galera! Como já era esperado, esse ano chegou trazendo várias novidades no mundo das séries. E hoje, eu e o Plínio, do Entre Séries e Livros, vamos compartilhar nossas impressões sobre a queridinha do momento: Shadowhunters. E como aconteceu já esta semana, mesmo com o recesso das colunas, abrimos exceção para comentar de um dos temas mais debatidos do momento. Vamos com o primeiro não oficial Papeando com o Leitor do ano.

ESSE POST POSSUI SPOLER DOS DOIS PRIMEIROS EPISÓDIOS DA SÉRIE

No primeiro semestre do ano passado, os fãs da saga Instrumentos Mortais, da autora Cassandra Clare foram presenteados com o anúncio do início da produção da nova adaptação feita para a TV. Shadowhunters, é com certeza, uma das grandes apostas da televisão norte-americana, e desde o início, sabíamos que esta carregava grande responsabilidade, já que a primeira tentativa de adaptar os livros (no caso, pro cinema) foi um fracasso.

Assim que o cast foi escolhido, a Freeform (antiga ABC Family), investiu fortemente na divulgação da série, compartilhando imagens promocionais, sneak peaks e entrevistas com os novos membros do elenco. Katherine (Kat) McNamara e Dominic Sherwood foram as grandes revelações pro seriado, interpretando o tão famoso casal Clace (Clary Fray e Jace Wayland). Aparentemente satisfeitos com a escolha dos atores, nomeando-os de "elenco dos sonhos", os fãs rapidamente demonstraram todo o carinho e ansiedade nas redes sociais, esperando então a estreia que ocorreu na última quinta-feira, dia 12.


Como eu previa, esse seriado apresentou à boa e velha fórmula de sucesso que cativa os espectadores adolescentes: uma jovem perdida, mas com um propósito, descobrindo um mundo novo e se encantando pelos segredos que esse ambiente trás. E claro, conhecendo o príncipe encantado.

Logo no episódio piloto "The Mortal Cup", acompanhamos a saga de Clary, que até então era uma garota comum, tentando entender melhor o mundo sobrenatural no qual ela se encontra. 

Mesmo sabendo que essa história dispensa apresentações e grandes explicações, deixarei para o David analisar melhor a qualidade do enredo, já que ele irá comparar a trama apresentada originalmente no livro com a que vimos na série.


Assim que o piloto foi ao ar, uma torrente de críticas negativas se espalhou pela internet envolvendo a atuação de alguns membros do elenco, e algumas alterações feitas. O desempenho de Kat McNamara não me surpreendeu nem um pouco, pois eu já tinha visto uma prévia de sua atuação nas promos e trailers liberados (e não gostei). Realmente, a atriz deixou a desejar, e talvez o peso de protagonizar uma saga tão popular tenha sido demais para a jovem. Mas a performace que realmente me decepcionou, foi a de Dominic Sherwood. O ator me pareceu completamente despreparado para o papel, e acabou forçando demais a aparência de badass, o que ficou nítido para o espectador.


Outro ponto negativo gritante nesses dois primeiros episódios foi o roteiro. As pessoas estão julgando incessantemente o elenco, por alguns erros que claramente estão no texto. Diálogos forçados e infantis permeiam várias cenas dos episódios, tornando o enredo cansativo e repleto de clichês. Com esse script apresentado, eu acho que fica difícil atuar bem!

Ok, vamos aos elogios! kkkk



Sem dúvidas, para mim, os dois primeiros episódios foram do Alberto Rosende, ator que interpreta o Simon. Foi muito interessante ver essa nova face que ele deu ao personagem.


Também gostei dos produtores terem começado a explorar a relação entre o Simon e a Izzy (interpretada brilhantemente pela incrível Emeraude). Acho que dessa forma, as coisas vão ficar mais naturais com o decorrer dos episódios. 

Sim, o triângulo teve química! Disso não posso reclamar. Eu disse o triangulo, porque o casal...



E sim, eu sei que ainda não falei sobre Malec, mas também vou deixar a tarefa de apresentar o Alec e o Magnus da série, para o David!

Bem, eu por minha vez (voltei pra perturbar vocês) sou sincero a dizer que concordo em todos os aspectos com a visão do Plínio. Achei em primeira mão a escolha do cast perfeita, mas desde a seleção, fiquei com um pé atrás em relação a Dominic Sherwood ser um dos protagonista. Conheci o trabalho do ator quando ele atuou em Academia de Vampiros: Beijo da Sombras, adaptação da obra de mesmo nome da autora Richelle Mead, e confesso, ele também não me convenceu lá. Em todos os sentidos, sim, o casal precisa de mais química, e sim, o script precisa ir mais devagar. Muitos fatos estão acontecendo rápido demais, o que torna até a explicação dos atores muito corrida. Além disso, grande parte da essência destes personagens se perdeu em meio a esta correria e é deste aspecto que iremos primeiramente tratar agora, na comparação.

Os atores realmente vestiram os personagens, mas só vesti não servi. Em características físicas, todos se assemelham muito a visão que tinha formado dos personagens de Clare, mas em questões de desenvoltura, isso já é outra história. O famoso casal Malec (eu ouvi alguém dando um grito?) ainda não demonstrou química alguma, e isto talvez se deva ao fato de não terem interagido um só segundo. Mas se caso esse contato acontecer, tudo pode ser totalmente diferente do que o livro propõe. O ator Harry Shun Jr., ao meu ver, não incorporou Magnus Bane. Nas poucas cenas que apareceu, ele se mostra muito fechado, quieto, e sabemos que o nosso Magnus nunca seria um recolhido na festa. 

Magnus é um personagem estonteante, exagerado, com presença, que sabe marcar sua posição em um local. Ele não quer ser apenas... Ele é. Sua presença nos livros são empolgantes, engraçadas, cheias de humor negro. Na série, as poucas vezes que apareceu, ficou frio, fechado, isolado, assumindo mais uma personalidade "Alec" da vida; coisa que nem o próprio Alec aprovaria. O relacionamento dos dois surge justamente da pouca vergonha de Magnus em assumir quem realmente é, enquanto que Alec é nosso personagem passivo, reprimido (sendo este fato explicado com perfeição na trama de Clare). A impressão que fica, entre o cast do filme e o cast da série, é que o Magnus do cinema, mostrou-se muito mais fiel do que o ator Shun Jr. Com certeza ele pegou o estilo, mas não a personalidade "purpurina" do personagem.

O mesmo pode-se dizer de Jace. Em dois episódios fiquei esperando todo o humor sarcástico do personagem para piadinhas, a maneira indiferente de tratar todos (inclusive Clary), sempre mostrando-se um tanto quanto egocêntrico. O Jace de Sherwood mais me pareceu um bobo apaixonado do que um caçador cheio de cicatrizes e temores da escuridão. Desta forma, o personagem afetou a personalidade de Clary, que me pareceu infantil, boba em algumas cenas, emocionalmente despreparada para atuar com sentimentalismo. É como se a produção quisesse deixar já evidente "ELES SÃO O CASAL". Forçar a barra também não rola viu? Mesmo sem a caracterização física, votaria sem tirar nem por na Clary interpretada por Lily Collins, assim como também escolheria a personalidade muito mais fiel ao livro do Jace feito pelo ator Jamie Campbell Bower, do que a de Dominic.

 


 

Por outro lado, é impossível negar que todo o cast (em que a autora esteve presente durante a seleção, e ela mencionou este fato em um texto que postou no tumblr), tem grandes semelhanças físicas com as descrições propostas por ela. Menos em particular, dois personagens, que achei exagerado a escolha, e também totalmente sem sentido.

Luke, conhecido como ex caçador de sombras e atual líder dos lobisomens, foi o primeiro que causou estranheza a minha pessoa. Não sou de criticar aspectos tão pequenos, de forma que nunca espero que uma adaptação seja fiel (traumas com Percy Jackson), e o ator tem feito um bom trabalho no papel, mas convenhamos, sua semelhança com o personagem do livro morre justamente  no nome. Como descrito na obra original, dá só uma olhada na aparência do personagem:

"Luke é descrito como um homem de meia-idade com aparentes quarenta anos. Possui cabelos escuros com alguns pontos grisalhos e suaves olhos azuis.Usa um par de óculos e armação dourada."



Primeiro ponto: ele é careca na série. Segundo ponto: ele nem usa óculos. Desta forma, o Luke escolhido para o filme, também era mais fiel, não só na personalidade, como também na aparência. Mas definitivamente este nem foi o total cúmulo em quesito personificação. O personagem Hodge ganha nessa categoria. Na série, ele é mega jovem, loiro, e não tem um dos principais aspectos que marcam o personagem: seu corvo. Nos livros, Hodge é uma espécie de instrutor dos jovens caçadores. Ele sempre fica na biblioteca, aprisionado após ser considerado um traidor pela Clave. Na série, nosso amigo é bom de briga, sendo o "mestre" das armas. Pois é.




Quando confrontamos a semelhança entre o do filme e o da série, ai é que a coisa desanda. Em primeira mão, descrição do personagem feita pela autora:

"Hodge é descrito como um homem magro, com cabelos grisalhos e um longo nariz pontudo na primeira vez em que Clary encontra com ele dentro da biblioteca do Instituto. "

Choque de realidade não? Evidentemente que pela descrição, o Hodge do filme seria mais fiel também. Mas, como a TV sempre quer colocar o máximo de caras saradas para ficar sem camisa em algum momento, pois é, temos um novo boymagia por aqui. -kkkkkkk

Em quesito final, para acabarmos com as comparações, hora de ver as cenas que batem e não batem com a obra original. Dentre de fiéis, com F maiúsculo, está sem dúvidas a que aconteceu no segundo episódio: aparição dos irmãos do silêncio. Em todos os minutos que assisti, essa foi de perto a mais próxima da obra, não só no clima que ela transmitiu, como também em aspectos de cenário e desenvolvimento dos personagens. Ficou realmente digna.


Mas também houveram outros momentos que podem ser remetidos a fidelidade com os livros, como o primeiro contato com a boate Pandemônio (que tem esse nome no livro), a cena na casa de Clary, quando ela é atacada pelo demônio; o bate papo dela com a Izzy no segundo episódio (algumas falas remetem sim a diálogos do livro), e claro, nosso amorzinho desse seriado todo, Simon e Izzy. Os momentos dos dois são os mais fiéis, não só em questões de ter realmente partes dos diálogos que provavelmente saíram das páginas originais, ou que sofreram pouquíssimas alterações, como também na desenvoltura dos atores, que já mostraram muita química.


Outro aspecto bastante semelhante a trama no geral é a menção aos instrumentos mortais. Provavelmente, caso a série realmente desbanque e chegue a uma possível segunda temporada, teremos um livro por temporada. Neste primeiro estamos vendo a aparição dos personagens e o foco de Clary em saber sobre o mundo que sua mãe a manteve escondida. Já ficou visível ao expectador que Valentin (antagonista) quer uma dessas relíquias para ele: o cálice mortal, que supostamente estava com Jocelyn (mãe de Clary) e que dá a quem o tiver, a capacidade de criar novos Caçadores de Sombras. Temos espaço aqui para abrir a discussão sobre os dois personagens, que estão diferentes, sim, mas de maneira positiva. A Jocelyn do livro é super protetora, e ela faz de tudo, até o último volume da série, para não deixar Clary integrar o universo das sombras. A da série estava prestes a abrir o jogo com a filha, já tendo presenteado-la com um estela (lâmina mística dos caçadores). Pessoalmente gostei da diferença, não só porque a personagem de Jocelyn ganhou maior personalidade, como deixou de ser tão repetitiva.

Em aspectos negativos, temos, aparição dos vampiros no segundo episódio, e quem leu o livro, sabe que aquilo não acontece daquela forma, e sabe o quanto a série já está dando um dos maiores spolers do primeiro livro; o Instituto, que no livro é descrito como uma espécie de casa, ou escola particular da Clave, onde sempre uma família é levada para ficar sobre sua proteção, por ser o único local seguro de demônios, e livre para que os jovens possam treinar. A ideia na série pelo jeito é tornar este local uma espécie de base de operações, ou seja, agora somos agentes secretos.


Tivemos também o sequestro de Jocelyn que ficou bem diferente do livro, ou então o combate na boate, onde até Clary se envolve, quando sabemos que ela não participa de nenhum combate até o final do livro, quando começa a finalmente assumir sua identidade de caçadora. Além disso, outras características como a personagem está indo para a universidade, ou aquela Dot super amigável que conhecemos na série, ou a chegada da personagem Maureen (que só passa a fazer parte da trama em Cidade dos Anjos Caídos) são dados relevantes para se somar as diferenças com a obra original.

Desta forma, (Plínio de volta) querendo ou não, precisamos pegar leve, já que só temos uma prévia do que vem por aí. Além do mais, é bom lembrar que esta é uma série produzida pela ABC Family Freeform, e séries dessa emissora costumam seguir um padrão, que me desagrada às vezes. O jeito é apostar nessa nova oportunidade de ver nossa querida história "ganhar vida", e esperar por melhoras. Também é necessário dizer que ao comparar personagens do filme e da série, nós não nos posicionamos em relação a preferência. É bom esclarecer! kkkk. Já que claro, a atuação da série no ambiente cinematográfico não foi muito melhor.


Concluindo:

Com um ritmo acelerado, Shadowhunters sobrecarregou o espectador de informações, o que pode ter atrapalhado na compreensão de alguns aspectos. Além de ter falhado nos efeitos especiais, tornando cenas que seriam dramáticas em momentos cômicos. 

A série ainda contou com atuações não muito motivadoras, mas mesmo com todos estes pontos frisados acima, não devemos nos ater em julgar dois episódios. O seriado começou agora, e tem muito a mostrar, sendo que os atores podem não só melhorar suas performances com o decorrer dos episódios (pois estarão realmente trabalhando no personagem constantemente), como o enredo pode e deve tomar melhores rumos, ou assim esperamos. 

Temos esperanças que esta, como muitas séries, apresente melhores resultados nos episódios que estão por vim, sendo reflexo de um trabalho dedicado aos fãs apaixonados. Shadowhunters pode ter muito a oferecer, e nós ainda apostamos nossa fichas nela, apesar de tudo! 

Referência: Postagem da autora Cassandra Clare sobre a fidelidade das adaptações de sua obra: aqui.
PS: Shadowhunters estará disponível semanalmente na Netflix, logo após a transmissão da Freeform. Isso é incrível!
PS2: Sabemos que o post ficou gigante, mas precisávamos abordar todos esses aspectos. hehe

Vocês assistiram os episódios? Gostaram? Compartilhe sua opinião conosco nos comentários. ;)



2 comentários

  1. Hey gente adorei a critica! Apesar da série estar infiel, está bem bacana.
    Infelizmente nada é mil flores e é bem difícil a produção dela seguir o livro, mas fico contente que pelo menos temos a série para poder desfrutar um pouco mais do mundo dos caçadores de sombras <3

    Abraços!
    Dudu - Portal Nerd
    http://portalnerdss.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Olá, tudo bem?
    Eu tava com expectativas altas pra essa série, porque já tinha curtido bem mais a aparência física dos personagens (Clary e Jace, principalmente). Porém, além de atuações fracas, o primeiro episódio jogou um monte de informações relevantes na cara do espectador, informações que são reveladas ao longo do livro. Achei que foi tudo revelado rápido demais, mistérios que descobrimos ao longo da leitura. Tô bem decepcionada. :( Mas vou dar uma chance pra ver se melhora.
    Ah, tá rolando um sorteio super bacana lá no blog, te convido a participar! ♥
    Beijos,

    Priscilla
    http://infinitasvidas.wordpress.com

    ResponderExcluir

Expresse-se