Coluna: Mitomania #1!




Estamos abrindo nossa primeira coluna sobre mitologia, e eu ouvi um eba?! EBA! Pois é galerinha, como prometido, estreia hoje no blog nossa Mitomanina, a coluna totalmente dedicada a explorar um pouco mais da mitologia que encontramos em alguns livros que lemos e pela qual somos fascinados. Gostou? Então, segura ai porque para abrir o ano com estilo a Lena trás um pouco sobre um assunto fascinante para vocês. Algum fã de Garotos Corvos por aqui?


Ainda a muitos elementos da história humana que remanescem como mistérios para a sociedade atual. Na falta de um representante que possa dissuadir e expandir nossos pensamentos sobre estes fatos nos resta apenas cogitar sobre seus possíveis significados, transformando-os não só em teses e hipóteses acadêmicas, mas também em elementos ficcionais. É através desse processo que Maggie Stiefvater confecciona a trama da sequência de “Os Garotos Corvos” em torno das misteriosas “linhas ley”.

Na obra, seus personagens estão à procura da manifestação física de uma lenda antiga, que diz que um rei enterrado espera ser encontrado para realizar os desejos daquele que o despertar. Glendower, o mítico nobre de Gales, governado por magia e emoção, assim como, Cynan e Arthur estaria aguardando seu chamado como um herói para retornar, lutar e libertar o seu povo. O motivo principal para que o grupo acredite na possibilidade de trazer o rei adormecido de volta a vida, seria que o mesmo estaria enterrado sob o alinhamento de “linhas ley”, e é disso que vamos falar.

O significado comumente assemelhado as “linhas ley” infere que elas sejam alinhamentos eletromagnéticos entre lugares de grande importância geográfica e histórica, podendo ser igrejas, montanhas, cursos de água, etc. Estes alinhamentos teriam surgido como forma de navegação, ou seja eles serviriam para orientar e facilitar o deslocamento humano e o uso continuo dessas rotas teria feito com que elas remanescessem até a atualidade.

Muitos cultos existentes concordam com a definição das “linhas ley” como alinhamentos entre pontos específicos, porém divergem no que diz questão ao seu surgimento e uso. Segundo o culto Wiccano, estes alinhamentos haviam sido notados pelas antigas civilizações como pontos de forte fruição de energia, e para indicar estes locais, teriam sido erguidos templos de culto que amplificavam o poder desta energia e facilitavam o contato com ela. Devemos levar em consideração que a comunidade Wicca enxerga a Terra como um corpo vivo que possui um intricado sistema nervoso por onde flui a energia espiritual.

Sempre que um local tenha tido orações e desejos concentrados direcionados a ele, forma-se um vértice elétrico que atrai para si uma força e que se torna por um tempo um corpo coerente que pode ser sentido e utilizado pelo homem. É ao redor desses corpos de força que templos, locais de culto e, posteriormente, igrejas são erigidos; são Cálices que recebem um derramamento Cósmico focalizado em cada local específico.” - (Dion Fortune, Aspects of Occultism, 2000)

Dentro desse sistema nervoso se destacam sete pontos principais de fruição denominados de chakras, e assim como no corpo humano, a Wicca determinou sete pontos de maior força das “linhas ley” no planeta, são eles:

1. A colina sagrada de Arunachala, no sul da Índia;
2. A região trans-himalaia do deserto de Gobi;
3. Cairo, Egito;
4. Uma montanha a cerca de 100 milhas do litoral do Peru, na região dos Andes, imediatamente oposta a Aranachala;
5. Glastonbury, na Inglaterra;
6. Antigo local da Suméria, no Baixo Eufrates;
7. Monte Shasta, na Califórnia.

O estudo do significado das “linhas ley” teve início na Grã-Bretanha, onde a mitologia já delimitava a sua existência, e podemos observar mais claramente sua existência através de trilhas diretas, ou como também são chamadas, “trilhas/luzes de fadas”, alinhamentos menores entre montes neolíticos e túmulos, motivo que levaram a associação destes a espíritos, fadas e ao culto dos mortos.

Na obra de Maggie Stiefvater seus protagonistas revelam bastante sobre as “linhas ley” nas proximidades da Grã-Bretanha, entre elas, esta passagem chama a atenção:

- As vezes, as linhas ley são marcadas de forma visível. Por exemplo, no Reino Unido algumas das linhas são marcadas com cavalos entalhados em encostas. Ele estivera em um avião pequeno com Malory da primeira vez que vira o Cavalo de Uffington, um cavalo de cem metros escavado na encosta de uma colina de calcário na Inglaterra. Como tudo associado às linhas ley, o cavalo não era muito... comum. Era estendido e estilizado, uma silhueta misteriosa e elegante, mais uma sugestão de um cavalo real”. - (Os Garotos Corvos, p. 196)

E sim, todas as referências que Stiefvater utiliza na obra existem, inclusive a figura do Cavalo de Uffington, porém, a associação das imagens as linhas ley ainda não é muito estudada. As figuras em si estariam mais voltadas a cultos Xamanicos da região.

Linhas semelhantes seriam encontradas também em Nazca no Peru, outra região que tem fortes indícios de influência do culto Xamanico. Quando Gansey menciona que elas são marcadas de maneira visíveis, pode estar também relacionando ao fato de que todas as linhas ley possuem monumentos de indicação da sua existência, não tendonecessariamente de ser um geoglifo, mas uma igreja, um cemitério, uma pirâmide, uma estrutura histórica, etc. Abaixo, a referida imagem do geoglifo do cavalo.


Outro fato que atiça a nossa curiosidade na obra de Stiefvater é quando ela infere a ligação entre lendas urbanas da região com as linhas, como se o causador inicial destas lendas fossem fenômenos criados pela energia emanada nestes pontos específicos. Entre os fatos extraordinários mencionados estão aparições de Poltergeists, homens-mariposa e cães negros. 

Essa associação já foi mencionada anteriormente principalmente na Grã-Bretanha, com o surgimento do termo trilhas/luzes de fadas. Na atualidade, porém, estas chamas dançantes que surgem misteriosamente na escuridão são associadas a um fenômeno natural chamado fogo fátuo, gerado por gases naturais de corpos em decomposição, de certa forma explicando parte que ligaria as luzes ao culto dos mortos, porém, não as demais aparições até então “sobrenaturais”.

Mas voltando aos aspectos da obra, a própria família da protagonista, Blue, teria se movido para a cidade devido à força das “linhas ley” na região. Por serem praticantes Wicca e trabalharem com clarividência, elas utilizam a energia das linhas para tornar suas leituras mais claras, e mais umas coisas que eu não posso falar pra não dar spoiler #vãoler.

Estudos geográficos criaram através de padrões já descobertos das linhas, um mapa que abrangeria todos os pontos de alinhamentos significativos existentes no planeta Terra:


Recentemente no ponto de alinhamento do mapa que vemos próximo ao Brasil, precisamente em maio de 2015, foram descobertas ruínas do que seria a perdida Atlântida, tanto as ruínas quanto o ponto de fluição da linha estariam posicionados exatamente no mesmo local, a cerca de 1500 metros do estado do Rio de Janeiro. Devido a algumas descobertas desse gênero muitos internautas pesquisadores de teorias de conspirações têm associado as “linhas ley” não apenas a cultos de civilizações antigas, mas também a cultos alienígenas, e que os templos erguidos em pontos específicos ao longo das linhas teriam como função, facilitar a viagem de um ponto a outro do planeta, e por isso guardariam ainda, grande força eletromagnética.

Claro, como foi dito anteriormente, os únicos que ligam um fato ao outros são os aficionados por teorias da conspiração e talvez alguns programas do History Channel. E bem, ainda temos mais livros da saga de Os Garotos Corvos pela frente. Até o momento foram publicados três volumes da série, mas em 2016 provavelmente já teremos o quarto livro, que já foi publicado fora do Brasil e já teve sua capa divulgada (e está muito linda). Ou seja, aos fãs da autora, aliens ainda não estão totalmente fora de cogitação. Quem sabe o que vem por ai? #ameiacapa doultimolivro #Ronanforever #Stiefvaterarrasa.

   

E você, já leu algum livro da série? Tem interesse? Gostou da mitologia que ele aborda?


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