15 fevereiro 2016

Coluna: Vamos Falar Sobre... #2!





Na primeira "crítica" de impressões do ano, nada menos nada mais que o feminismo em pura vivacidade. Uma das séries que conquistou diversos seguidores no final do ano passado, e pela qual, ansiosamente esperei. Hoje tem nossa visão geral sobre Jessica Jones!

Chocante, violento e altamente atrativo, o mercado midiático da Netflix vem com tudo nesta sua parceria incrível com a Marvel. Com mais uma super produção, Jessica Jones supera Demolidor em diversos conceitos sobre sociedade e crítica. A série que me pareceu tão despretensiosamente sem graça, ganhou novos focos a partir de seu primeiro episódio, e dica para quem deixou para conferi-la por inteiro é que: assista. Vale cada segundo.



Sinopse: Jessica Jones perdeu seus pais muito cedo em um acidente. Desde então, ela teve uma infância complicada sendo ela o que é. Jessica tem habilidades únicas que os outros jamais imaginariam conseguir. Este fato, motivado pela irmã adotiva Trish, levou-a tentar uma carreira como heroína, tendo um fim tão trágico quanto seu começo. Seu caminho foi cruzado por um poderoso homem com que ela nunca mais quer compartilhar qualquer laço... Meses depois, tentando fugir de sua consciência culpada, ela tenta reconstruir tudo que perdeu assumindo uma carreira de detetive particular, lidando com casos especiais. Mas seu caminho pode está prestes a interligar-se com seu passado mais uma vez, e um ajuste de contas está mais que próximo de acontecer.


Enredo: 



A trama de Jessica Jones é totalmente diferente do que eu poderia esperar. O seriado nos primeiros instantes não se mostra tão promissor, mas conforme vamos nos aprofundando em sua trama, os eventos vão se tornando cada vez mais atrativos. A série voltada especificamente para maiores (porque tem muitas cenas de sexo), tem um teor erótico e ao mesmo tempo sutil. As cenas não são extravagantes estilo Sense8 (seriado que deixei de lado exatamente pela vivacidade dos atos), e não chega a ser cansativa, fugindo sempre ao tema e tendo relacionamentos mais suaves e até meio romantizados. Desta forma, o seriado se torna uma verdadeira obra de arte crítica da visão social da mulher. Jessica não só é uma personagem que tem uma vida complicada devido a suas habilidades, como também sua grande maioria de vilões, durante a trama, são homens, entre eles, o principal, Kilgrave, aparentemente, um descontrolado e opressor machistas. A personagem retrata no meio da fantasia toda a brutalidade que as mulheres sofriam e ainda sofrem na sociedade, não só fisicamente quanto psicologicamente. Devo dizer que as cicatrizes psicológicas são as mais visíveis durante a trama. A produção trabalhou muito não só nas características físicas de Jessica, mas focaram em seus drama mentais, revivendo-os e demonstrando sempre esta impressionante transição da personagem. Além disso, a mulher representada em Jessica sempre se mostra avançada, durona, e até sua maneira de agir são espetaculares. Crítica e direta a personagem não se deixa abalar pelos traumas, e luta contra a sociedade opressora.

Ganhamos espaço também para discutir outros preconceitos. Ser mulher já não era muito fácil, pelo menos não na lógica da série, imagine então, ser lésbica nessa sociedade tão opressiva? O foco do enredo  logicamente não é o relacionamento homoafetivo entre as outras personagens secundárias, mas obviamente, embora em segundo plano, isso engrandece ainda mais a ferrenha posição da produção contra a sociedade machista. E de fato, nesse aspecto, Jessica Jones ganha com facilidade de Demolidor.

Ponto Negativo: 


O ponto negativo da série talvez tenha sido o número de episódios. Treze episódios tornou a trama, ao final do décimo, algo repetitivo e sem muita novidade, deixando muitas perguntas no ar para uma possível segunda temporada. A caça por Kilgrave demora demais para acabar e quando chega ao fim, não é emocionante, tornando-se até meio banal. Em questão de season finale, Demolidor conseguiu ganhar muito mais meu carinho do que Jessica Jones. As últimas cenas do episódio não só foram meio sem lógica, como também os fatos aconteceram rápido demais. Depois de tantos episódios, esperava-se algo mais concretamente aceitável. Ou até mesmo, quem sabe, mais chocante, e não a banalidade que tudo se transformou. A ideia que fiquei é que os obstáculos que Jessica enfrentou não foram absolutamente nada complicados, já que ela lidou com o seu maior problema tão facilmente ao fim.

Os efeitos especiais da série também não chegam a ser apavorantemente perfeitos. Este é mais um ponto que a Netflix precisa investir. Tanto em Jessica Jones quanto em Demolidor, essa característica é bem mediana, e a produção não passa disso. Entre os piores efeitos, os saltos da personagem são os que mais marcam a "pobreza" se assim pode-se dizer, de investimento nesta área. Esperamos que em uma possível segunda temporada os efeitos especiais sejam mais utilizados, e de preferencia, melhorados.

Cenário:

O que me conquistou especialmente. Como vocês devem sabe, Kilgrave (ou Homem Púrpura), é um vilão barra pesada também. Sua maior marca é a coloração arroxeada de sua pele, e também, o fato de que em seus aparecimentos no quadrinho, sempre possuem, nas cenas, alguma tonalidade puxada para o roxo. No seriado este fato se engrandeceu, não só nos momentos da presença do personagem, que sempre tinha algo relacionado a cor para destacar, como também nos flashback que Jessica sofre, onde o fundo sempre é tomado pelo roxo para representar, de certa forma, a influência e o peso que o antagonista tem, mesmo sem nem aparecer.


Personagens:



De fato gostei muito de ter a atriz Krysten Ritter interpretando nossa protagonista. Não conhecia nada da personagem (momento poser ever), e mesmo assim não deixei de ficar encantado com a desenvoltura que Ritter teve, não só nas expressões faciais, sempre fechada, ilustrando bem a personalidade de Jessica, como também em seus momentos de ação, disposta a qualquer sacrifício. Além disso, a série já deu um imenso gancho não só para trazer Demolidor como também Luke Cage. Pelo fato de se passar na mesma cidade e bairro de Demolidor, as coisas já se facilitam, mas a química entre Luke Cage e Jessica também ficou evidente pela interpretação dos atores, fazendo os fãs torcerem pelo casal antes mesmo dele meramente se concretizar.


O mesmo deve ser dito de David Tennant no papel de antagonista. Mesmo que as características físicas do vilão não seja inteiramente mantida, a ideia da cor e da essência do personagem não se perdem na interpretação de Tennant, tornando-se algo espetacular.

De toda maneira, personalidade em seus personagens não foi nem de perto um defeito da série. Todos são devidamente apresentados e perfeitamente cativantes. Se não pela trama, então pelas críticas. Jessica Jones é um prato cheio não só para os amantes da Marvel Studio, com mais uma adaptação bem citada e elogiada de seus HQs, mas para um divertimento de fim de semana. Com 13 episódios, basta sentar, pegar a pipoca e curtir muita ação e drama, tudo bem dosado pelo enredo sarcástico e humorístico.

NOTA FINAL



Um comentário:

  1. Oi David!
    Não sou uma conhecedora do universo Marvel, mas fiz questão de conferir Jessica Jones e também gostei bastante.
    Concordo que alguns episódios da reta final soaram um pouco repetitivos, mas considero a temporada bem satisfatória.
    Demolidor está na minha lista ;)
    Krysten Ritter está ótima mesmo, mas David Tennant rouba a cena.
    Beijos,
    alemdacontracapa.blogspot.com

    ResponderExcluir

Expresse-se