Coluna: Vamos Falar Sobre... #6!





Eles voltaram em um segundo OVA e acreditem, não foi fácil finalizar mais uma vez. Repleto de um gosto de nostalgia e amadurecimento, o segundo micro filme da série Digimon Adventure Tri superou o primeiro, não só no núcleo drama quanto no nível ação, deixando um gancho mais que perfeito para o penúltimo. Infelizmente, o único ponto negativo foram as respostas, que ainda continuam inexistentes na mente do telespectador.




Sinopse: Os Digiescolhidos estão frente a uma iminente batalha outra vez. Após anos em paz, vivendo na mesmice de suas vidas, agora, precisam deter um novo inimigo e salvar o Digimundo mais uma vez. Mas Joe não quer mais essa responsabilidade para sua vida. Desde o retorno de seus amigos digimons, ele continua ignorando o mundo e focando nos estudos, tentando encontrar seu lugar na sociedade. Já Mimi, desbocada como sempre, cansou de ser uma mera reserva no time. Ela quer provar seu valor, e não apenas a garotinha mimada que todos acham que ela. Sendo os digimons taxados como ameaça, a menina está pronta para mostrar que as pessoas estão erradas e nem sempre tudo é tão simples assim para se julgar.
Enquanto isso, o digimundo continua sofrendo sobre a ameaça do vírus que vem afetando diversos digimons. Ogremon é um dos atacados. Ele retorna até a Cidade do Príncipio (onde os digimons nascem) pronto para destruir toda e qualquer nova ameaça que venha interferir em seus planos. Mas Leomon trava uma potente batalha contra ele. Durante a luta, porém, o digimal consegue fugir para nossa dimensão, e a cidade dos digiescolhidos virá o campo de batalha mais uma vez. Novos mistérios começam a surgir e um plano ainda mais sombrio pode estar de formulando nas entranhas do universo digital.


Enredo: 


Bem esquematizado é pouco, frente a grandiosidade que Digimon Adventure Tri vem adquirindo conforme seus OVAs vão acontecendo. O enredo desta vez não só está melhor estruturado, como também apresentou uma individualidade de dois protagonistas da série. Pelo que entendemos a partir deste, cada membro do grupo será focado em um filme diferente (os próximos são Sora e Izzy). 

O desenho que começou como uma mera aventura despretensiosa está ganhando um fundo ainda mais interessante quando trazida para o universo adulto destes antigos fãs. O interessante desta nova fase é perceber que o desenho realmente cresceu conosco, não só em questões de enredo, quanto em questão de visão psicológica dos próprios personagens. Você percebe o evidente amadurecimento de todos. A trama começa a trabalhar outras questões; questões estas pertinentes a idade que os personagens retratam, sem desfocar no enlace juvenil que todos amávamos. O longa ainda ganha um ar cômico trazendo personagens tão cativantes quanto os digimons.

Pessoalmente o que me chateou é a falta de respostas para as perguntas que ficaram abertas no último longa. Era de esperar que após tantos meses, pelo menos algumas questões fossem respondidas. Pois bem, não foram. Pelo contrário, novas foram somadas e o telespectador terá que permanecer na dúvida talvez até setembro deste ano, ou mais. E isso pode ocasionar em um final catastrófico já que infelizmente sabemos que são apenas meros quatro episódios por OVAs, com cerca de 25 a 27 minutos. Teria espaço suficiente em um só micro filme para trancar todos os parênteses? Se a ideia do longa é produzir um mistério (e nesse sentindo eles estão fazendo bem), a única coisa que espero é um desfecho adequado. Mas essa visão final deve ficar em segundo plano por hora. Por enquanto, vale a pena reviver os momentos intensos e mais realísticos deste segundo momento dos digiescolhidos.


Personagens:

Este é mais um ponto bem abordado na nova geração. Enquanto que no primeiro filme, todos parecem inteiramente mergulhado em decifrar o que realmente está acontecendo (fechando o filme sem realmente saber ao certo), neste tivemos um maior espaço para os personagens em particular. E eu adorei essa visão adulta tanto do Joe, quanto da Mimi. Quem acompanhou a série quando criança sabe perfeitamente que esses dois personagens sempre foram conflituosos dentro da trama. Joe, a única criança que nunca quis ser um digiescolhido, tendo uma visão pessimista e meio calculista do mundo a sua volta; e Mimi, a menina toda mimada que nunca se importava com mais ninguém fazendo sempre o que lhe dava na telha. Na fase Tri, essas características se ressaltam, mas não de forma negativa. Desta vez o telespectador se identifica com eles, e o sentindo para seus "brasões" fica ainda maior. Enquanto que Joe é o garoto menos provável para acreditar na "Esperança", sendo no fundo apenas muito sufocado pelas expectativas dos pais, temos Mimi, desbocada, sempre fazendo o que acha melhor, não para si, mas para todos. E por essa razão, por sempre dizer o que pensa, sem se importar a quem afete, que faz tanto sentindo seu "brasão" ser o da "Sinceridade". Essa ligação que os personagens ganharam com seus respectivos aspectos característicos foi muito intensa, tocante, de maneira que é impossível sentir algum sentimento de negativa para com eles; pelo contrário, a impressão que fica é uma tocante mensagem de verdadeira aceitação. Joe nunca foi fechado, só curioso. Mimi nunca foi egoísta, só sincera.



Outro ponto interessante é a exploração que a personagem Meiko ganha. Ainda não foi explicado muito sobre seu passado, contando apenas o básico, mas sua participação na trama será bem maior pelo jeito, não só pelos novos mistérios, em grande parte rondando seu digimon, Meikuumon, que pelo visto vai viver uma fase meio anti herói (coisa nova no mundo digimon, como todos sabemos), como também pelo papel que ela tem a desempenhar. Qual será o "brasão" dela? Qual sua mais forte característica psicológica e humana? Estamos curiosos.





Traço:

Pessoalmente ainda prefiro o traço americanizado do anime. Mas confesso que estou começando a me acostumar com esse novo look. É só questão de aceitação mesmo. Embora o esboço feminino não me atraia muito (já que as meninas, principalmente a Sora e Karin parecem ter a mesma aparência), já estou começando a me acostumar com a nova visão dos personagens, e admirando os cenários, bem detalhados, com curvas mais triangulares e efeitos mais vívidos. Em especial ressalto os digimons que estão ainda mais fofos e atrativos.


Não vou pontuar o longa com a maior nota. Como disse, ainda gostaria que algumas questões tivessem sido fechadas neste segundo momento dos micro filmes, e acredito que houve tempo para isto. Embora o foco tenha sido tratar as superações pessoais dos personagens, existia espaço também para se trabalhar mais do enredo principal. Digimon Adventure Tri ainda é uma perfeita aposta para os fãs, e com certeza vai te conquistar caso não tenha visto. Com algumas referências, é conferir a nova rodada com quatro episódios e depois sentar e aguarda sofridamente até setembro, quando sairá o terceiro.


NOTA FINAL


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