Resenha #328 - Outro Dia (Todo Dia Vol 2)!






Título: Outro Dia
Coleção: Todo Dia
Autor: David Levithan
Editora: Galera Record
Ano: 2016
Especificações: Brochura | 322 páginas
ISBN: 9788501106834
 Sinopse
Um dos mais inovadores autores de livros jovem adulto e o primeiro a emplacar uma trama gay na lista do New York Times, David Levithan retoma a sua mais emblemática trama em "Outro Dia". Aqui, a já celebrada — com várias resenhas elogiosas — história de "Todo Dia" é mostrada sob o ponto de vista de Rhiannon. A jovem, presa em um relacionamento abusivo, conhece A, por quem se apaixona. Só que A, acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Mas embarcar nessa paixão também traz desafios para Rhiannon. Todos eles mostrados aqui.


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AVALIAÇÃO PESSOAL
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RESENHA POSTADA ORIGINALMENTE NO BLOG DE CARA NAS LETRAS


Bons sinais. Estou sempre procurando bons sinais.

Rhiannon nunca imaginou que estaria em uma situação tão complicada. Em um dia comum de sua vida, ela só gostaria que Justin fosse à pessoa a lhe fazer feliz, mas agradá-lo não era tarefa fácil. Estava sempre mal humorado, cheio de ódio e antipatia; sempre sentindo-se um fardo para ele. Não naquele dia. Naquele dia ele tinha um brilho diferente no olhar, nas palavras, no jeito de se mexer. Naquele dia, o Justin não parecia o seu Justin. E ele não era...

Quando Rhiannon depara-se com a história impossível e assustadora de A, seu mais novo pretendente, que troca de corpo todo dia, ela fica perdida, perturbada, sem saber quais atitudes tomar. Seria capaz de amar o mesmo espírito em corpos diferentes? Que ideais ou obstáculos teria que superar e se adequar para viver este amor? Isto é realmente verdade? Como escolher entre o amor fixo e normal por Justin ou a grandiosidade sentimental e reviravolta que A causa em sua vida?

O amor tem que ser isso: Ver o tamanho do problema que o cara é e amá-lo assim mesmo, porque você sabe que também é um problema, talvez até pior.

Não acho que nada permaneça. Para o bem ou para o mal. Por isso acho que o importante é não se prender a essa preocupação e, em vez disso, desfrutar a coisa ou o momento pelo tempo em que estiver no presente.

Outro Dia não é a continuação que esperava para um livro tão incrível quanto Todo Dia, mas abre muitas novas possibilidades para o leitor que já conhece a trama no seu geral. Narrado em primeira pessoa, o enredo é a mesma coisa de Todo Dia, sendo visto desta vez sob a ocular da personagem Rhiannon, e isso pode ser tomado como um aspecto importante na trama, já que as transformações em sua vida e em sua forma de pensar são muito mais profundas, principalmente quando seu relacionamento com A começa. Levithan deu um rosto à personagem, vivacidade a figura antes era apenas idealizada. Infelizmente o romance não ganha tanta grandeza quanto seu anterior devido a não possuir a particularidade de ter um narrador que não tem uma sexo estabelecido, e que está constantemente em transformação, como também pelos muitos acontecimentos, já experienciados pelo leitor, tornando-os banais devido a repetição. Entretanto, tem seu charme e te cativa de toda forma. Embora os eventos sejam os mesmo, sobre a ótica da protagonista, novos questionamentos são feitos, novos personagens entram na interação da trama, e novos pontos são abordados também, a exemplo, dando espaço para os figurantes de Todo Dia, como o amigo de Rhiannon, Presto, que aqui, encarna o lado crítico da obra, fazendo referencia a homo afetividade sempre presente nos livros do Levithan.


O autor também convida seus leitores a conhecerem um pouco mais da construção destes personagens. A complexidade dele é indiscutível, fato que transforma Outro Dia em uma boa leitura para passar o tempo, possuindo citações bonitas e memoráveis, mas não tendo a carga sentimental que tínhamos em Todo Dia. Como mencionei acima, devido à trama já ser conhecida, o livro acaba não sendo surpreendente, e fica mais como uma releitura do que já havia sido mostrado, mudando apenas alguns aspectos. O final, porém, desta vez, não exige uma continuação. Sob a perspectiva de Rhiannon, a obra estaria completa e perfeita. Para o leitor que não leu Todo Dia, essa pode ser uma experiência melhor. Eu pessoalmente, me decepcionei um pouco, razão de Todo Dia ainda ser meu xodó particular. 

Estou desaparecendo. Esse é o pensamento que me ocorre: estou desaparecendo. Como se nada do que eu diga ou faça importe. Minha vida se tornou tão minúscula que é completamente invisível.

Mas o livro não é de todo ruim. É interessante o autor ter destacado a posição da personagem frente a tudo que acontece em sua vida, não só nas alterações de humor, como também na forma de lidar com as trocas de corpo de seu amado. A visão que Rhiannon tem de A, a forma como leitor passa a enxergá-lo, tudo é muito bem explorado. Uma coisa evidente é que Rhiannon a certo momento da história, parece não se importar mais com nenhum sentindo que não seja seu desejo por A. Além disso, mais interessante ainda é quando a protagonista é submetida ao dia em que A aparece no corpo de uma garota; seus pensamentos mais secretos, seus medos, tudo exposto ao leitor, evidenciando a complexidade do sentimento que rege todo o enlaçar de eventos em Outro Dia e em Todo Dia. Se existe algo a se dizer sobre a obra e sobre o autor é que Levithan não brinca quando o quesito é construção da narrativa. Sua obra tem um toque sutil de sobrenatural que ao mesmo tempo fundi-se com a realidade em uma naturalidade emocionante, chocante.

Outro aspecto interessante foi vê como Rhiannon realmente enxerga Justin, que desta vez, tem um maior destaque, não só para que o leitor o conheça em sua intimidade, como também para decidir em qual time colocá-lo: odiados ou amados. O personagem interage por toda a trama e é uma presença marcante, e embora esteja sempre em cheque essa oscilação de decisão final para o leitor, é muito interessante saber mais sobre ele; e não apenas dele, mas também de outros personagens como Stephanie, Rebecca, Ben e muitos outros, que no primeiro volume, não possuem destaque por não fazerem parte especificamente da vida de A.


É aqui que acaba. É aqui que começa.
Cada momento. Todo dia.
É aqui que acaba. É aqui que começa.

A edição da Galera Record é simples e a capa combinou bem com a visão que a série quer transmitir. Outro Dia é mais um apurado de quotes inesquecíveis, recheado de romance e drama do começo ao fim. Não tão surpreendente quanto Todo Dia, ainda é capaz de emocionar o leitor que pode ser pego identificando-se com os dilemas da personagem. Ainda espero uma continuação (e digo realmente uma continuação para Todo Dia, e não ele narrado por outro protagonista), que fale mais sobre o que A realmente é, e solucione os mistérios que ficaram em aberto. Se não ler Outro Dia pelo simples prazer de conhecer um ponto de vista diferente, então pelas frases marcantes que provavelmente irão te tocar.




David Levithan (nascido em 07 de setembro de 1972, Short Hills, New Jersey) é um editor de ficção gay jovem americano adulto e autor premiado. Ele teve seu primeiro livro, Boy Meets Boy, publicado em 2003. Ele tem escrito inúmeras obras com personagens gays do sexo masculino, principalmente Boy Meets Boy e Nick and Norah's Infinite Playlist. Aos 19 anos, Levithan recebeu um estágio na Scholastic Corporation, onde começou a trabalhar na série The Baby-sitters Club. Dezessete anos depois, Levithan ainda está trabalhando para Scholastic como diretor editorial. Levithan é também o editor-fundador do PUSH, uma marca jovem-adulto da Scholastic Press enfocando novas vozes e novos autores.



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