Resenha #343 - A Rebelde do Deserto (A Rebelde do Deserto Vol 1)!





Título: A Rebelde do Deserto
Coleção: A Rebelde do Deserto Vol 1
Autor: Alwyn Hamilton
Editora: Seguinte
Ano: 2016
Especificações: Brochura | 312 páginas
ISBN: 9788565765992
 Sinopse
O deserto de Miraji é governado por mortais, mas criaturas míticas rondam as áreas mais selvagens e remotas, e há boatos de que, em algum lugar, os djinnis ainda praticam magia. De toda maneira, para os humanos o deserto é um lugar impiedoso, principalmente se você é pobre, órfão ou mulher. Amani Al’Hiza é as três coisas. Apesar de ser uma atiradora talentosa, dona de uma mira perfeita, ela não consegue escapar da Vila da Poeira, uma cidadezinha isolada que lhe oferece como futuro um casamento forçado e a vida submissa que virá depois dele. Para Amani, ir embora dali é mais do que um desejo — é uma necessidade. Mas ela nunca imaginou que fugiria galopando num cavalo mágico com o exército do sultão na sua cola, nem que um forasteiro misterioso seria responsável por revelar a ela o deserto que ela achava que conhecia e uma força que ela nem imaginava possuir.


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AVALIAÇÃO PESSOAL
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Um ritmo viciante, com uma trama realmente envolvente, "A Rebelde do Deserto" seria a fantasia mais que perfeita se não fosse por alguns graves probleminhas de estruturação narrativa.

Amani começou a ter uma vida difícil desde o dia em que se entendeu por gente. Quando ainda morava com seus pais, aguentava os conflitos familiares diariamente, até que um dia sua mãe, cansada da vida violenta, encerrou a vida de seu marido. Daí em diante, a vida da menina saltou de mal a pior. Sendo conhecida na pequena vila como filha daquela que foi enforcada, Amani só quer ser livre, fugir deste lugar e alcançar o sonho e morar em Izman, capital e cidade  mais famosa de seu reino. Mas conseguir tornar esse sonho realidade não será jornada fácil. Como mulher, suas esperanças tornam-se ainda menores presa sob as manipulações de uma sociedade totalmente machista. Mas a chegada de um forasteiro pode alterar o rumo de seu futuro. Sem nem ao menos perceber, a garota torna-se traidora do reino, jogada em meio ao deserto em uma corrida para salvar sua vida. E não tendo apenas o exército sob sua cola, mas também perigosas criaturas se escondem nas imensidões de areia, Amani, juntamente com seu improvável aliado, fará descobertas grandiosas. Descobertas essas que podem alterar não só seu futuro, mas também o futuro de toda população.

Narrado em primeira pessoa, o livro estréia da autora Alwyn Hamilton não é ruim, e QUE FIQUE FRISADO ISSO. A ideia central da fantasia é muito boa e diferente, explorando uma mitologia totalmente nova e rica, onde monstros e deuses convivem com muita facilidade. "A Rebelde do Deserto" é uma trama sufocante, cheia de reviravoltas, sendo recheado, do começo ao fim, de cenas de ação muito envolventes. E talvez este tenha sido o primeiro erro mortal na história. Os cinco primeiros capítulos do enredo tornam-se insuperáveis, de forma que o leitor que se aventurar nas páginas, não conseguirá largar o livro de Hamilton antes desses capítulos, mas falha mortalmente conforme as cenas de ação vão atropelando tudo mais na trama, esquecendo de afunilar detalhes, ou descrever melhor esses combates. Embora a ideia da autora tenha sido fantástica, a estruturação de sua narrativa, e a própria separação de eventos do romance fez com a leitura se tornasse um tanto quanto enfadonha em alguns momentos,  revelando muito em um primeiro e trazendo múltiplos acontecimentos que parecem desconexos uns dos outros. E isso acaba deixando buracos bem visíveis. Enquanto um capítulo trata de tal coisa, o outro trata de algo totalmente diferente, retomando o fato anterior de modo muito superficial e nada agradável. A escrita de Hamilton não é ruim, mas sua organização, infelizmente, deixou a desejar.

Quando todo mundo parece ter tanta certeza, é difícil acreditar que alguém esteja certo

Outro problema que me chateou muito é o fato dos personagens não terem uma aprofundamento adequado, tanto da parte da protagonista (eu só saberia descrever ela como uma personagem extremamente afiada), quanto dos secundários (não se cita muito da personalidade, não se explora seus pontos mais fortes). A obra no geral, parece corrida, e uma sucessão de eventos vai atropelando a outra, como que de certo momento a frente, a autora tivesse perdido o controle da história. Além disso, embora o romance entre Amani Jin tenha começado muito envolvente, acabou morrendo, assim como outros aspectos do livro que me ganharam no começo, mas me decepcionaram depois. Cenas que poderia ter sido melhor exploradas, foram descartadas com total facilidade, como se ela aparecesse apenas para cumprir um espaço e depois se tornasse irrelevante.

Apesar das falhas, volto a frisar que a ideia da autora é muito boa, e diferente, já que reclama-se de provar sempre do mesmo. Embora encontremos os velhos clichês literários do momento (mocinha heroína que se apaixona pelo badboy misterioso), a mitologia de Hamilton consegue seduzir o leitor e prendê-lo por boa parte do romance. E tratando-se de seu livro de estreia, entram-se também expectativas de publicação, ou então a falta de maturidade da autora, talvez na hora de escrever, sem repensar se seria realmente daquela forma que ela gostaria de lançar. De toda forma, sendo uma trilogia, ainda pretendo ler a continuação, até porque, a curiosidade ainda permanece no ar. Só espero que os aspectos e buracos deixados neste primeiro volume, em sua continuação, sejam melhor trabalhados e respondidos para que os erros não venham novamente a ocorrer.




Nasceu em Toronto, no Canadá, e já morou na França e na Itália. Estudou história da arte no King’s College, em Cambridge, e atualmente vive em Londres, onde trabalha numa casa de leilão.





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