Resenha #359 - A Rainha Vermelha (A Rainha Vermelha Vol 1)!





Título: A Rainha Vermelha
Coleção: A Rainha Vermelha
Autor: Victoria Aveyard
Editora: Seguinte 
Ano: 2016
Especificações: Brochura | 422 páginas
ISBN: 9788565765695
 Sinopse
O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses.
Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho?
Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe - e Mare contra seu próprio coração.


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AVALIAÇÃO PESSOAL
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Vejo um mundo na corda bamba. Sem equilíbrio, ele cai.

Com um ritmo sufocante, e tiradas mais que brilhantes, Victoria Aveyard conquista seus leitores logo na estreia de sua distopia. 'A Rainha Vermelha', que a primeira vista parece algo tão banal e clichê, trazendo uma trama já tão bem contada em outros livros do gênero, se mostra, ao decorrer da leitura, um prato recheado de surpresas e muitas emoções.


Mare Barrow vive em uma sociedade onde todos são divididos pelo sangue. Aos vermelhos, a classe mais pobre, resta apenas tentar sobreviver no meio de tantos prateados, a famosa realeza e elite, opressora, que com seus poderes, consideram-se quase deuses. Mas o equilíbrio dessa balança está para mudar. Quando Mare acaba indo trabalhar no castelo do rei, durante um acidente, seu verdadeiro poder é despertado. Ela é uma vermelha com poderes prateados. Como pode isso? Ninguém sabe, e a garota pode ser a fagulha que outras pessoas esperavam para revirar e acender de vez uma revolução no país. Estaria ela pronta para enfrentar essa elite, dominada por um jogo de poder onde ninguém parece ser realmente quem mostra ser? Quais mudanças uma simples vermelha pode causar em anos de uma burguesia absoluta?

Narrado em primeira pessoa, o enredo de 'A Rainha Vermelha' pode ser descrito como um 'X Men' as avessas. Aqui, a sociedade é controlada pelos super humanos, que são vistos com maior status justamente por terem habilidades que outros não possuem. Dividida em casas (igual Game Of Thrones), a trama de Aveyard, ao primeiro contato, como dito, parece uma junção de todas as mais recentes séries distópicas que lemos e amamos (ênfase talvez maior, para mim, em a 'A Seleção', da autora Kiera Cass). Entretanto, conforme os eventos vão acontecendo, a escrita da autora vai tornando sua história algo mais particular, mais instigante. Aveyard não economiza nas descrições, e também não se atem em não chocar o leitor. Há passagens em seu livro, logo no comecinho, que fazem a distinção completa sobre a sociedade brutal imaginada pela autora, em reflexo a coisa clichê e bem aguada criada por Cass. Com certeza, em todos os fatos, 'A Rainha Vermelha' é muito superior. Eu diria mais, diria que Aveyard é ousada, não temendo uma desaprovação e mergulhando profundamente em um verdadeiro banho de sangue e um intrigante jogo de poder. Não imagine uma história batida, onde a pobre moça vai ao castelo, se mostra especial e se apaixona perdidamente pelo príncipe. Estamos muito longe de tal atitude. 

É da nossa natureza. Destruímos. É a constante da nossa espécie. Não importa a cor do sangue, os homens sempre cairão.

Em sua história, ao meu ver, ninguém é realmente um "coitado", ou até mesmo "heróico". E esse foi o ato mais legal que autora poderia criar. Aqui temos apenas personagens (pessoas se focarmos na realidade da trama) que lutam por ideais pessoais, ou que seguem uma ideia acreditando que aquilo seja o certo, sem saber quem irá prejudicar. E é justamente esse jogo de poder que salva toda a leitura.

O começo da obra me pareceu bem clichê e sem graça. Embora a escrita de Aveyard seja muito boa e leve, fazendo com que as páginas passem sem que você se cansem ou fique algo realmente repetitivo, a narrativa da visão da protagonista, Mare, se torna batida, ao longo que os eventos se transformam em algo muito previsível ou clichê. Ou pelo menos assim imaginava. O livro tem uma total reviravolta da metade para o final, firmando o ponto que a autora realmente queria focar, e surpreendendo o leitor totalmente. Aveyard me garantiu (talvez) uma das cenas mais sufocantes e eletrizantes que li este ano. Essa cena em particular, faz com que valha cada instante que gastamos nas páginas anteriores. É como se o leitor fosse realmente guiado pela mesmice, acreditando que aquilo seria apenas mais do mesmo, para no fim, chocar-se com o que realmente deve acontecer.

A construção de personagens da autora é magnifica. Embora Mare não seja a protagonista mais diferente ou incrível que conheci, ela provavelmente é uma das mais afiadas. Gosto da sua personalidade explosiva, sempre no limite, desafiadora. Em alguns momentos da história, torna a desenvoltura da personagem algo realmente impressível. E o melhor, ao meu ver, ela não tem uma paixão ou par romântico que centre ou apoie outro núcleo do romance. Pelo contrário, a personagem é tão independente que seu envolvimento com qualquer outro ser masculino na trama se torna apenas um caso, ou quem sabe, um ponto que mais tarde pode vir a ser algo, mas não agora. E esse é mais um fato que gostei. Primeiramente porque não gosto de triângulos em livros onde o foco é realmente ação (caso de Jogos Vorazes, Maze Runner e afins), pois sempre acabam mal desenvolvidos. E em segundo, finalmente temos uma mocinha que realmente só está afim de se salvar. Devido ao livro está totalmente voltado para a sua visão, o leitor vivência as angustias da personagem e suas dúvidas sobre em quem confiar.

Não poderia deixar de citar outros personagens, que ao meu ver, merecem destaque, como Cal, Maven, Elara, Julian, o próprio rei e por fim, a chave de ouro, Shade, o irmão de Mare. Embora ausente na trama, sua presença nas crenças e monólogos da protagonista são tão verdadeiros, que você acaba se apegando ao personagem, mesmo sem conhecê-lo totalmente. Mais uma prova da incrível descrição que e construção que a autora faz de seus personagens, por mais secundários que eles sejam.

Victoria Aveyard me deu um tiro certeiro, e a obra garante suas quatro estrelas e meia com certeza comigo, entrando para a lista de romances distópicos que preciso dá preferência. Com um enredo totalmente envolvente, jogos inteligentes entre seus personagens, e uma escrita realmente espetacular, 'A Rainha Vermelha' foi além do que eu poderia esperar. E ainda teve uma ajuda da edição, que além de linda, tem uma capa realmente chamativa e muito proposital (e a mais bonita da série até o momento pra mim).




Cresceu em Massachusetts e frequentou a Universidade do Sul da Califórnia, em Los Angeles. Formou-se como roteirista e tenta combinar seu amor por história, explosões e heroínas fortes na sua escrita. Seus hobbies incluem a tarefa impossível de prever o que vai acontecer em As Crônicas de Gelo e Fogo, viajar e assistir a Netflix.





2 comentários

  1. Oi, David!
    Acho que dei 3 estrelas para esse livro. Ele não foi todo bom, mas também nem todo ruim. Já o segundo... Eu abandonei porque não deu.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe do sorteio de aniversário Balaio de Babados e Postando Trechos
    Participe da promoção 1 Ano de Estilhaçando Livros

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    Respostas
    1. Oi Lu!
      Sério que você abandonou o segundo? D: GENTE, mas o que eu mais vejo é o povo dizendo que é ainda melhor. To morto D: Vou ler e quando terminar a gente conversa. Mas que pena :(

      Abraços

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