Coluna: Mitomania #5!





FELIZ DIA DAS BRUXAS!


Nesse último dia de especial do Halloween, em pleno dia, na realidade, nada melhor que finalizar com chave de ouro. Para a coluna que estava bastante parada durante esses longos meses de 2016, o Mitomania voltou esse mês recheado de assuntos para tratar. Hoje, vamos explorar a mitologia da criatura sobrenatural/fantástica mais icônica da data. Quem ai não conhece/ama algum bruxo da literatura?

Bem, assim como o Glauber bem colocou no último Mitomania que ele fez (sobre os vampiros na literatura), a visão de bruxo ou feiticeiro também se modificou muito. A queda mais notável nessa figura que antes era vista como um mal, talvez tenha sido o nosso canônico dos best-sellers, 'Harry Potter'. Antes dele, a figura da bruxa sempre era meio que assemelhado a maldade, sombra, miséria. Essa visão, felizmente foi ao chão. Os bruxos e bruxas passaram a ser separados entre bons e maus, sem generalizar. Claramente, que 'Harry Potter' foi apenas o estopim dessa nova visão. Tendo a fama que o livro tinha na época, era capaz de gerar grandes revoluções na visão dos leitores. Mas clássicos como ‘O Mágico de Oz’ já traziam essa distinção entre feiticeiros bons e ruins, sendo duas entidades distintas, que como qualquer ser humano, poderia ser levado ao caminho da maldade ou da bondade. 

Hoje em dia, são as mais infinitas sagas que trabalham o tema e criam essa separação entre bons e ruins, mas as origens dos bruxos e feiticeiros vem de décadas atrás, sendo uma mitologia que muitas vezes, permeou a realidade. 

Uma bruxa é geralmente retratada no imaginário popular como uma mulher velha, nariguda e encarquilhada, capaz de manipular magia, e dotada de uma gargalhada terrível.


A palavra em si, vem do verbo italiano bruciare que significa queimar (brucia). É também muito popularizada a imagem da bruxa como a de uma mulher sentada sobre uma vassoura voadora, ou com a mesma passada por entre as pernas, andando aos saltos. Alguns autores utilizam o termo, contudo, para designar as mulheres sábias detentoras de conhecimentos sobre a natureza e, possivelmente, magia. Na série 'Dezesseis Luas' é bem esse tipo de emprego que podemos atribuir aos bruxos, embora, lá eles sejam conhecidos como Conjuradores, assim como na trilogia Grisha.





Já nas obras da autora Cassandra Clare, os bruxos são na realidade originalizados entre a relação que acontece de humano com demônios, sendo mal vistos socialmente pelo universo imaginado da autora. Lá, eles recebem o nome de Feiticeiros, todos possuem uma marca de nascença que distingue eles do restante dos seres humanos (olhos de cores diferentes, cabelos, pele). Na linguagem dos Caçadores de sombras (tem Mitomania sobre eles aqui) esses Feiticeiros são denominados como Filhos de Lilith (uma das entidades demoníacas mais fortes do Inferno) e geralmente são imortais, nunca envelhecendo, mas, claramente, podendo ser morto pela arma mágica certa.

Algumas bruxas históricas adquiriram notoriedade, como é o caso das chamadas: Bruxas de Salem, a Bruxa de Evóra e Dame Alice Kytler (bruxa inglesa). Na literatura então, são extremamente populares, sendo retratadas das mais diferente formas. Um bom exemplo surge das adaptações Disney, que atualmente já trabalham com essa visão da bruxa boa, como aconteceu na animação 'Frozen - Uma Aventura Congelante ' (cinema aqui), onde a personagem, Elsa, faz de tudo para proteger sua irmã de sua magia.

Bem, infelizmente, essa mitologia vem muito além da ficção, e já chegou a penetrar nossa realidade. Algumas mulheres foram implacavelmente caçadas durante a inquisição na Idade Média. Um dos métodos usados pelos inquisidores para identificar uma bruxa nos julgamentos do Santo Ofício consistia na comparação do peso da ré com o peso de uma Bíblia gigante. Aquelas que fossem mais leves eram consideradas bruxas, pois dizia-se que as bruxas adquiriam uma leveza sobrenatural.

Frequentemente as bruxas são associadas a gatos pretos, que dentre as Bruxas Tradicionais são os chamados Puckerel, muitas vezes tidos como espíritos guardiões da Arte das Bruxas, que habitam o corpo de um animal. Estes costumam ser designados na literatura como Familiares.

Diziam que as bruxas voavam em vassouras à noite e principalmente em noites de lua cheia, que faziam feitiços e transformavam as pessoas em animais; ou seja, eram más.

Hoje em dia essas antigas superstições como a da bruxa velha da vassoura na lua cheia já foram suavizadas, devido à maior tolerância entre religiões. Apesar de tudo, a fé na magia ainda  é forte para alguns. Gerald Gardner tem destaque nesse cenário como o pai da Religião Wicca - A Religião da Moderna Bruxaria Pagã, formada por pessoas que são Bruxos/as mas que utilizam a "Arte dos Sábios" ou a "Antiga Religião" mesclada a práticas e conhecimentos de outras tradições. A classificação de magia como negra e branca não existe para os bruxos, pois se fundamentam nos conceitos de bem e mal, que não fazem parte de suas crenças, por isso, como costumam dizer, toda magia é cinza. A Arte das Bruxas como era feita antes é chamada de Bruxaria Tradicional, ainda remanescendo até os dias atuais em grupos seletos, via de regra ocultos. 

A palavra bruxaria, segundo o uso corrente da língua portuguesa, designa o uso de poderes de cunho sobrenatural, sendo também utilizada como sinônimo de feitiçaria. Conforme proposto pelo historiador norte-americano Jeffrey B. Russell existem três pontos de vista principais sobre o que é bruxaria: o primeiro ponto de vista é o antropológico, que demonstra a bruxaria como um sinônimo de feitiçaria; o segundo é o histórico, que através de documentos escritos coloca qualquer tipo de bruxaria como uma prática ligada ao culto ao diabo; o terceiro é o da bruxaria moderna ou hodierna, que defende a bruxaria como religião pagã (ou neo-pagã).

Agora você deve estar se perguntando: mas essas mulheres existiram? Elas realmente eram bruxas? Isso existe? Em tese, nada foi confirmado. Algumas evidências foram levantadas em registros da Idade Média, sendo que naquela época, estávamos no ápice da Inquisição. A quem assemelhe essas feitiçarias a religiões como o Candomblé também. Por hora, elas parecem ter existido apenas no imaginário popular.


Os atos de feitiçaria já eram citados desde os primeiros séculos de nossa era. Autores como o filósofo grego Lúcio Apuleio (123-170) faziam alusão a uma criatura que se apresentava em forma de coruja que na verdade era uma forma descendente de certas mulheres que voavam de madrugada, ávidas de carne e sangue humanos

Para os intelectuais, estes acontecimentos não passavam do imaginário popular, sonhos, pesadelos e, assim, recusavam-se a admitir a existência de bruxas. Porém, entre muitos povos não era assim: os éditos dos francos salianos falavam como se ela existissem de fato. Os penitenciais atestavam a crença nessas mulheres luxuriosas. No início do século XI, Burcardo, o bispo de Worms, pedia aos padres que fizessem perguntas às penitentes no intuito de descobrir se eram seguidoras de Satã. A figura da bruxa, como se vê, era sempre assemelhada pela igreja como algo ruim. Ser bruxa era encarnar a maldade em pessoa.


Esse medo impregnou-se pela sociedade. Diversas mulheres foram mortas e brutalmente assassinadas devido a essas suspeita e a mítica história das feiticeiras ainda é relembrada vivamente até hoje. Apesar disso tudo, a literatura surge para quebrar essa visão fechada do que é a bruxa. Livros e mais livros tratam esses seres fantásticos das mais variadas formas, sejam boas ou más, sempre fazendo uma distinção. Muito contraditoriamente, hoje em dia, as bruxas podem até ser grandes heroínas, como é o caso da querida Hermione (Harry Potter) ou Alina (Sombra e Ossos). São infinita as obras que mostram esse  crescimento da bruxa/bruxo. Algumas, que se você for fã, talvez queira conhecer são:



   
   
   
  

Bem, que existe coisas que não são explicáveis, isso é um fato. O mundo é cheio de mistérios e talvez essas mulheres mágicas existam. Quem sabe, não é mesmo?! Por hora, podemos apreciar a fantasia!


Um comentário

  1. Que post maravilhosoooooooooo, amei!! A gente adora comemorar halloween, mas pouco se sabe de fato da origem dos seres sobrenaturais, né? Adorei muito o histórico que você montou sobre as bruxas e a mudança que tiveram ao longo do tempo, deixando de serem malvadas e sendo criadas vários outras teorias acerca de sua existência. Eu particularmente curto as duas versões, as boas e as más, e foram os livros primeiramente que abriram a nossa visão pra essa divergência ♥

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/

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