20 dezembro 2016

Resenha #104 - O Livro de Memórias!





Título: O Livro de Memórias
Autor: Lara Avery
Editora: Seguinte
Ano: 2016
Especificações: Brochura |392 páginas
ISBN: 9788555340178
 Sinopse
Sammie sempre teve um plano: se formar no ensino médio como a melhor aluna da classe e sair da cidade pequena onde mora o mais rápido possível. E nada vai ficar em seu caminho — nem mesmo uma rara doença genética que aos poucos vai apagar sua memória e acabar com sua saúde física. Ela só precisa de um novo plano. É assim que Sammie começa a escrever o livro de memórias: anotações para ela mesma poder ler no futuro e jamais esquecer. Ali, a garota registra cada detalhe de seu primeiro encontro perfeito com Stuart, um jovem escritor por quem sempre foi apaixonada, e admite o quanto sente falta de Cooper, seu melhor amigo de infância de quem acabou se afastando. Porém, mesmo com esse registro diário, manter suas lembranças e conquistar seus sonhos pode ser mais difícil do que ela esperava.
Cortesia Grupo Editorial Companhia das Letras (Editora Seguinte) 


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AVALIAÇÃO PESSOAL
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Mas o importante não é cair e sim saber levantar.

Intrigante, diferente e muito sentimental, 'O Livro de Memórias' é um relato forte e abrupto sobre a vida, tecendo reflexões importantes dos mais variados aspectos da sobrevivência humana. Além da obra abordar com uma doença chocante e até meio, destabilizadora, de forma que o leitor não sabe como lidar com ela, ainda apresenta uma personagem forte e ao mesmo tempo, inquietante, que vai sofrendo fortes mudanças no decorrer de sua trama.

Samantha está certa sobre seu futuro. Tudo que ela mais quer é terminar o ensino médio, vencer o torneio de debates e se preparar para o grandioso amanhã que lhe espera. Sendo uma das alunas mais brilhantes da escola, ela não teme a vitória, pelo contrário, já sabe que está prestes a torná-la realidade. Ela só não imaginava que fosse descobrir que esta doente. E ainda mais de algo tão negativo para seus planos. Acontece que a garota possui uma rara doença que faz seu cérebro apagar, lentamente, gerando demência. Agora, Sammie vê todo o seu mundo desmoronar e em vista de tentar evitar que isso aconteça, inicia um livro de memórias, onde vai relatar tudo o que acontece com ela. Até onde seus planos para o futuro ainda podem durar?

Narrado em primeira pessoa, a escrita de Avery é sútil e muito direta, de forma que a sua maneira de narrar torna-se quase um diálogo pessoal com a personagem. Aos primeiros momentos da leitura tive bastante dificuldade de emergir na história; mergulhar em seu fundo. Sammie parece, logo nas primeiras 100 páginas, uma personagem extremamente egocêntrica e certinha demais, de maneira que foi quase impossível com que eu me cativasse por ela, apesar de sua situação. Pelo contrário, a leitura foi arrastada, complicada e nada atrativa. A construção dos personagens feito pela autora, nesse quesito, falhou um pouco. O livro fica totalmente preso a visão da protagonista (por se tratar basicamente de um diário) e são pouquíssimos momentos que despertam a curiosidade do leitor, tendo cenas monótonas, atitudes bobas partindo da narradora, e um romance que não seduz. Ao meu ver, cerca de 200 páginas totalizadas seriam mais que suficientes para a história. A muitos eventos desnecessário que tornam a leitura um tanto quanto pedante.


Felizmente tudo isso muda da metade para o fim. Conforme a temática vai sendo melhor trabalhada e os sintomas da doença vão surgindo, Sammie vai mudando, e com ela, o ar fútil que a história trás no começo também. Ao meu ver, o erro da autora foi não ter mostrado o par romântico logo de cara. Cooper é um personagem engraçado, extravagante e maluco, que cativa o leitor logo em suas primeiras aparições. Infelizmente ao inicio, suas entradas de cena são muito sutis e superficiais, de forma que você não o conhece melhor. Quando o personagem ganha voz, a mim, é ele que salva toda a leitura. Os momentos monótonos tornam-se hilários e angustiantes. Seu envolvimento na trama não só convence, como o romance em si, agrada. Diferentemente do triângulo que tenta se formar, muito sem sal, parado e nada atrativo.

Minha maior dificuldade com a obra foi saber lidar com a personagem principal. Sammie é complicada de descrever. Havia momentos em que torcia por ela; outros queria matá-la. Ao fim, não sei exatamente que sentimentos ter. Ao meu ver ela muda, amadurece, mas não o suficiente para que eu me identificasse com seus dilemas, ou sentisse pena pela sua dor. E isso deve ser tomado como um ponto positivo. A autora não tenta abrandar as burradas da protagonista, pelo contrário, ressalta-as. Isso torna a sua existência mais realísticas e eu conseguia visualizar Sammie na realidade ao nosso redor. Ela é inteligente e decidida, aspectos que me agradaram muito na sua construção. 

Outro ponto extremamente positivo na trama (fora o instalove Cooper e Sammie) é a relação dela com seus familiares. Esse é sem dúvidas o ponto chave para despertar as lágrimas e os sentimentos do leitor. Avery trabalhou muito bem a relação da personagem com seus irmãos e pais, tornando-os figuras presentes, verídicas, coisa bastante ausente nos sick-lit ou nos romance YA. Não vemos a protagonista fazer grandes feitos e seus pais simplesmente desaparecerem. Pelo contrário, vivemos o cotidiano da família, seus dilemas, proibições e situações embaraçosas, e esse laço é o ponto mais emotivo que a história poderia abordar, de maneira que nas últimas páginas, depois de tantas reviravoltas, o sofrimento é dobrado.

O presente não passa de um caminho que leva a outro lugar.

Se fosse para descrever 'O Livro de Memórias' em uma palavra, eu usaria: verdadeiro. A autora desconstrói a imagem de todos os personagens, aborda laços familiares mais realísticos e ainda tem espaço para um romance apaixonante e fofo, que apesar da personagem chatinha e egoísta, não se abala e acaba emocionando com suas páginas cheias de sentimentos e sinceridade. O fato de se tratar de um diário, torna tudo ainda mais intenso e singelo. Sem dúvidas, uma leitura que insisti e não me arrependi. 

Com uma edição linda, é mais uma obra de fases, que deve ser consumida lentamente, de maneira a aproveitar cada uma delas, desde as mais irritantes e paradas, para as mais emocionantes e angustiantes. 



Lara Avery começou sua carreira como um autora apenas dois anos fora do Macalester College com a publicação de "Anything But Ordinary". Embora ela tenha adorado escrever seu primeiro romance a partir de pontos ao redor do mundo , ela olha para a frente para produzir o próximo de sua mesa.




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