Resenha #375 - Crave: A Marca (Crave - A Marca Vol 1)!




Título: Crave - A Marca
Coleção: Crave - A Marca
Autora: Veronica Roth
Editora: Rocco
Ano: 2017
Especificações: Brochura | 480 páginas
ISBN: 13: 9788579803284
 Sinopse
Mau Começo é o primeiro volume de uma série em que Lemony Snicket conta as desventuras dos irmãos Baudelaire. Klaus, Sunny e Violet, são encantadores e inteligentes, mas ocupam o primeiro lugar na classificação das pessoas mais infelizes do mundo. De fato, a infelicidade segue os seus passos desde a primeira página, quando eles estão na praia e recebem uma trágica notícia. Esses ímãs que atraem desgraças terão de enfrentar, por exemplo, um gosmento vilão dominado pela cobiça, um incêndio calamitoso, roupas que pinicam o corpo e mingau frio no café da manhã. É por isso que, logo na quarta capa, Snicket avisa ao leitor: "Não há nada que o impeça de fechar o livro imediatamente e sair para uma outra leitura sobre coisas felizes, se é isso que você prefere".
Cortesia Editora Rocco Jovens Leitores (Grupo Editorial Rocco)

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AVALIAÇÃO PESSOAL
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'Crave - A Marca' é a nova aposta da autora Veronica Roth, deixando as distopias e partindo para o universo da ficção cientifica. Essa obra tem uma ideia legal, um plot interessante, mas comigo, infelizmente, falhou fatalmente na sua execução. Persistindo nos erros já ocorridos com 'Convergente', Roth tenta a todo instante enfiar um romance que parece não se encaixar naquele contexto, enquanto seus personagens não conseguem crescer separadamente, mas dependentes de segundos, terceiros e quartos. Com uma sequência cansativa de eventos, clichês batidos que não cativam o leitor, 'Crave - A Marca' é com certeza minha última aposta em alguma obra dessa autora.

Em um universo onde todos os seres estão interligados por uma misteriosa energia conhecida como 'a corrente', um de seus planetas está em guerra, dividindo o povo em dois grandes grupos. Essa energia fornece aos seres que dela usam, dons sobrehumanos ou profecias sobre o futuro. Cyra Noavek e Akos Kereseth são membros distintos dessa sociedade repartida pela cultura e pela guerra. Mas quando o destino faz com que ambos cruzem o caminho um do outro, cada um tentará batalhar em busca da liberdade de seu povo. As diferentes formas de pensar dos dois pode ser a chave que trará a paz para esse mundo novamente ou a destruição total.


Narrado na perspectiva dos dois protagonistas, temos uma diferença de narração de um para o outro. Quando acompanhamos Akos, a narração fica em terceira pessoa, já quando estamos ao lado de Cyra, visualizamos a narrativa em primeira. Essa mudança constante de narrador é um jogo interessante, que pra mim, não foi bem trabalho, assim como outros aspectos da obra.

Dividida em 4 partes, o livro não apresenta qualquer cena eletrizante de ação e em boa parte da leitura, seus personagens só parecem chatos e deslocados. Roth investi em um romance que além de batido, fica extremamente forçado, por mais despercebido que ela tente ser ao construir a ligação dos personagens. Akos e Cyra eu diria que são uma versão piorada de Tris e Four. Na verdade, muito pior mesmo. Enquanto que por um lado temos Akos, um personagem confuso dentro da trama, que vai se perdendo ao longo dos capítulos, de maneira que o leitor não entende bem quais suas intensões verdadeiras (ser traído ou trair), carregando o peso do mundo nas costas; por outro temos Cyra, uma garota com uma habilidade muito perigosa mas que parece sentir medo até da própria sombra. Passamos boa parte de seus capítulos apelando para o lado emotivo, enquanto ela reclama e teme ameaças, que para o leitor, conhecedor do contexto, não fazem sentido algum ela temer. A construção dos dois é muito complicada e eu pessoalmente, não me cativei por nenhum em particular, seja os protagonistas, ou os coadjuvantes. Todos são muito rasos, e investem grande parte do tempo tentando explicar o universo e a cultura desses povos. E aqui começa mais um erro fatal de Roth.

Se por um lado a estruturação de seus personagens é falha, a do mundo é ainda mais complicada de entender. Os primeiros dez capítulos são complexos, arrastados e muito pedantes. A autora não deixa as coisas clara e isso vira uma imensa bola de neve onde tudo e nada são a mesma coisa. A energia que os povos tanto glorificam, eu não soube esclarecer no fim se é apenas uma crença religiosa, ou se ela realmente está ali, presente, como membro da narrativa. Sei apenas que é uma forte menção por toda a obra, e isso também torna a leitura cansativa. A todo instante temos alguma "corrente" sendo exposta na fala dos personagens. E você buscando sentindo em tudo isso.

Pra mim, infelizmente não rolou. 'Crave - A Marca' nem pode ser chamado de MAIOR DECEPÇÃO, porque eu realmente não possuía expectativas para com esse livro, e tinha receio ainda maior de lê-lo; receio esse que se confirmou após a leitura. Amo o gênero escolhido pela autora, mas um livro com cerca de 500 páginas que 200 páginas após o começo não traz qualquer ação ou mistério que envolva o leitor, não tem condições de dar certo. São cerca de 100 ou mais páginas de pura forçação de barra em relação a um romance que desde o primeiro instante não tem como dá certo, já que os personagens jogam em times diferentes, e ambos parecem errados. A autora usa e abusado de clichês já mostrados em outras sagas conhecidas como 'Os Legados de Lorien', mas não efetua eles com excito. A necessidade de estar constantemente focando no desenvolver amoroso desses dois protagonistas torna o mundo ao seu redor banal e os elementos cada vez mais mal executados.

Não gostei da posição da Cyra, principalmente. Achei ela mimada, egoísta e extremamente chata com reclamações ou sofrimentos que pra mim, não faziam sentido. Ficção cientifica ou não, 'Crave - A Marca' não desceu e a confiança na autora finaliza-se por aqui. Claro, que essa é uma visão pessoal, por isso, arrisque-se na leitura. Talvez você tenha mais empatia pelos personagens, ou esteja na vibe que esse livro quis passar. Comigo, agora, a química não rolou e os temores se concretizaram.


Veronica Roth (Cidade de Nova Iorque, Estados Unidos, 19 de agosto de 1988) é uma escritora norte-americana. É conhecida mundialmente por seus livros da aclamada saga Divergente. Os direitos cinematográficos da saga Divergente foram vendidos em abril de 2012, e a adaptação chegou aos cinemas em 21 de março de 2014. Veronica é casada com o fotógrafo artístico Nelson Fitch. Desde 2012 Veronica vive na cidade de Chicago.
A saga Divergente conquistou vários prémios, foi publicada em 20 países e vendeu mais de 26 milhões de exemplares mundialmente.


Um comentário

  1. Oi, David!
    Aí, migo... Entendo muito bem sua frustração.
    Gente, mas como um casal pode ser pior que Tris e Four???? Isso é impossível!
    Beijos
    Balaio de Babados
    Promoção Quatro Anos de Minhas Escrituras
    Sorteio Literário de Carnaval

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