04 maio 2017

Resenha #136 - O Perfume da Folha de Chá!





Título: O Perfume da Folha de Chá
Autora: Dinah Jefferies
Editora: Paralela
Ano: 2017
Especificações: Brochura | 432 páginas
ISBN: 13: 9788584390465
 Sinopse
Em 1925, a jovem Gwendolyn Hooper parte de navio da Escócia para se encontrar com seu marido, Laurencek no exótico Ceilão, do outro lado do mundo. Recém-casados e apaixonados, eles são a definição do casal aristocrático perfeito: a bela dama britânica e o proprietário de uma das fazendas de chás mais prósperas do império. Mas ao chegar à mansão na paradisíaca propriedade Hooper, nada é como Gwendolyn imaginava: os funcionários parecem rancorosos e calados, e os vizinhos, traiçoeiros. Seu marido, apesar de afetuoso, demonstra guardar segredos sombrios do passado e recusa-se a conversar sobre certos assuntos. Ao descobrir que está grávida, a jovem sente-se feliz pela primeira vez desde que chegou ao Ceilão. Mas, no dia de dar à luz, algo inesperado se revela. Agora, é ela quem se vê obrigada a manter em sigilo algo terrível, sob o preço de ver sua família desfeita.
Cortesia Editora Paralela / Grupo Editorial Companhia das Letras

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AVALIAÇÃO PESSOAL
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Duas coisas chamaram minha atenção para ler este livro: a capa que me deixou com vontade de conhecer a mulher retratada e seus pensamentos e a sinopse, em particular uma frase: A culpa atrás de uma mulher dividida entre seu papel de esposa e seus instintos de mãe. A sinopse e o livro conversavam muito comigo, já que me tornei mãe há pouco tempo. Dessa forma, 'O Perfume da Folha de Chá' foi realmente amor a primeira vista e após a leitura, não me decepcionei um só instante.

A trama já começa a nos cativar com todas as descrições e detalhes do local detalhado pela autora. Suas descrições são tão ricas e reais que parecem que estamos vendo pessoalmente, adentrando seus cenários e nos envolvendo com todos os apontamentos que ela faz.

Tudo começa em 1925 quando Gwendolyn, uma jovem de 19 anos, deixa sua cidade natal para viver no Ceilão com seu marido Laurece de 37 anos, dono de uma fazenda de chá. Ao chegar a sua nova casa Gwen se depara com uma atmosfera que não esperava: empregados mal humorados, vizinhos chatos e um marido distante, pois o mesmo guarda segredos que a mesma desconhece. Entretanto, para não parecer possessiva ou curiosa, ela decide aguardar que ele se abra conforme sinta-se à vontade e preparado.

Com o tempo na sua nova vida de dona de casa com todos seus afazeres, Gwen percebe que esta gostando e para completar a felicidade descobre que esta grávida. Mas quando chega o dia de dar a luz, ela vê seu mudo desmoronar com as revelações. Agora terá que guardar segredos, como seu marido e torcer para que seus piores temores não se concretizem.

'O Perfume da Folha de Chá' é uma historia cheia de segredos, mistérios e tristeza. Seus diversos acontecimentos nos fazem refletir que nem sempre a mentira é o melhor caminho, que a culpa pode nos consumir aos poucos e que muitas vezes é melhor ariscar perder tudo. O sofrimento de Gwen é sentido mesmo sendo uma narrativa de terceira pessoa. A autora cria uma atmosfera que gera toda essa aproximação com a personagem, de forma que mesmo evasiva as vezes, ela sempre se mantém muito real e próxima de quem está lendo. Em todos os momentos torci muito para que tudo fosse resolvido da melhor forma, pois o que aconteceu e o temor que lhe persegue na realdade não é culpa dela e sim do que é imposto pela sociedade da época. Trabalha-se muito na obra sobre o papel da mulher, sua importância como membro social e a forma machista como era enxergada. Para as feministas, esse livro é um prato cheio de poder feminino e representatividade. 

Outro ponto importante no enredo é a forma como a hierarquia é bem marcada, cada pessoa tem sua posição: patrão, capataz, empregados da casa e do campo. A autora não poupa esforços em ser crua com o leitor trazendo uma forma chocante para mostrar a maneira como as formar como as pessoas do campo eram tratados. E no fim, fiquei feliz com os momentos de luta da nossa protagonista em mudar o modo que os mesmos viviam. O romance apresenta diversas subtramas que não ofuscam o brilho do enredo central, pelo contrário, complementa-os com muita perfeição.

Isso não é nada. Alguém como você, que nunca precisou lutar por nada, não faz ideia do que essas coisas representam.

Se você como eu gosta de romance de época (esse não tem muitas cenas de sexo e as que têm são brandas) com um pouco de suspense, com certeza essa leitura é mais que obrigatória. Mas caso não curta, ainda indico, para ler, conhecer e interpretar as lições que a obra quer transmitir. Parabenizo a autora Dinah Jefferies pela escrita perfeita, lírica e envolvente, presenteando o leitor com uma leitura fluída, de maneira maravilhosa e sem rodeios ou descrições sem sentido. Tudo que é narrado tem sua relevância dentro dessa trama. A edição da Paralela também esta de parabéns, com uma linda capa que me ganhou na primeira olhada. E depois de tudo isso, a classificação não poderia ser outra  senão CINCO estrelas e vai com certeza vai para os FAVORITOS.



Dinah Jefferies nasceu em Malacca, Malásia em 1948 e se mudou para a Inglaterra em 1956, aos oito anos de idade. Ela estudou no Birmingham College of Art e mais tarde na Ulster University , onde se formou em Literatura Inglesa . Enquanto na faculdade ela ficou grávida de seu primeiro filho, Jamie, que faleceu em um acidente. A experiência de perder o filho foi a inspiração para o seu romance The Separation.





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