08 junho 2017

Resenha #141 - A Mulher que Matou os Peixes!




Título: A Mulher que Matou os Peixes
Autoras: Clarice Lispector
Editora: Editora Rocco
Ano: 2017
Especificações: Brochura | 48 páginas
ISBN13: 9788532508140
 Sinopse
Último dos títulos infantis de Clarice Lispector a ganhar nova e sofisticada edição em capa dura, A mulher que matou os peixes é um verdadeiro canto de amor aos animais. Ainda pouco conhecidos do grande público, os livros infantis da autora de A hora da estrela e outros clássicos da literatura brasileira nasceram das histórias que Clarice contava aos seus filhos e têm em comum o amor da escritora pelos bichos. A nova edição traz a dedicatória que a autora fez aos filhos – Pedro e Paulo – na edição original da obra, em 1968, e aos netos que ela ainda não tinha. E é justamente a ilustradora Mariana Valente, neta de Clarice, que assina as ilustrações e projeto gráfico do novo livro. Usando técnicas de colagem que são a marca de seu trabalho, Mariana dá vida a uma Clarice multifacetada e multicolorida. O resultado é uma obra de inesquecível ternura, renovada agora pelo traço ao mesmo tempo ousado e carinhoso de sua neta.
Cortesia Grupo Editorial Rocco 

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AVALIAÇÃO PESSOAL
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Aparentemente infantil, mas com significados que vão muito além da ingenuidade de uma criança, ‘A Mulher que Matou os Peixes’ trata de diversos assuntos importantes e problemáticos de uma maneira hilária, leve e fácil de assimilar. Clarice Lispector e nada menos nada mais que uma supermãe escrevendo cada página desse livro, enquanto passa lições de moralidade e aceitação para os seus leitores.


Na trama central, iremos conhecer a personagem Clarice que está vivendo um imenso drama. Acontece que seus filhos pediram para que ela cuidasse de seus dois peixinhos vermelhos, mas ela acabou esquecendo-se e os peixes morreram devido a não serem alimentados. Diante disso, ela começa a se comunicar com o próprio leitor em busca de justificar suas atitudes e deixar claro que não foi por querer.

Esse livro teve um recurso que gosto muito em livros infantis: o leitor realmente interagir com a historia. Narrado em primeira pessoa, a todo instante a personagem parece definitivamente comunicar-se com você enquanto as páginas vão se passando. No geral, sou apaixonado por livros infantis e infanto-juvenis que não subestimem seus leitores. Tendo lido algumas obras adultas da autora, percebi o mesmo cuidado que ela teve antes em passar para seus leitores a possibilidade de se descobrir dentro da obra, sem deixar as respostas ou seus ensinamentos com tanta evidência, como se o leitor não fosse capaz de encontrá-las. Lispector não duvida de seus jovens leitores e isso me encantou. A escrita é simples, mas carregada de significados.




A Mulher que Matou os Peixes’ não fala só da relação entre donos e seus pets, mas também comenta sobre relacionamento entre esses animais com outros, o laço que se forma, violência doméstica, e talvez ainda, um pouco, sobre a vida da mulher na sociedade moderna, que vive constantemente na correria, tendo que cuidar não só de si e das obrigações de trabalho, como também assumindo seu papel de mãe no lar. Em todo o livro o que fica bem marcado para mim é a figura materna que a narradora apresenta com as crianças, acolhedora. A todo instante ela frisa o cuidado que as mães devem ter com seus filhos, e seu cuidado deixa cada página com um toque pessoal, como se autora estivesse realmente relatando sua vida com a família. Assim com outras obras dela, a sensação de intensidade é bem vívida. Cada palavra é carregada de algo mais ao fundo. Até mesmo suas analogias quando fala da violência doméstica ou a criminalidade social, são bem ilustrada e perfeitamente repassadas com sutileza, para que a tonalidade da obra não se torne diferente do esperado para um livro de criança. Inclusive as ilustrações que veem no livro tem grande influência nesse quesito. Sempre bem inocentes. Embora a autora não tema em momento algum tratar sobre coisas mais pesadas como morte para os pequenos leitores. E isso é fascinantemente inteligente e verdadeiro. Como eu mencionei antes, Lispector não subestima seu leitor e arrisca na crua realidade de forma mais “brandas”, porém, sinceras.


Clarice Lispector, nascida Haia Lispector (Chechelnyk, 10 de dezembro de 1920 — Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1977) foi uma escritora brasileira, nascida na Ucrânia. Autora de linha introspectiva, buscava exprimir, através de seus textos, as agruras e antinomias do ser. Suas obras caracterizam-se pela exacerbação do momento interior e intensa ruptura com o enredo factual, a ponto de a própria subjetividade entrar em crise.
De origem judaica, terceira filha de Pinkouss e de Mania Lispector. A família de Clarice sofreu a perseguição aos judeus, durante a Guerra Civil Russa de 1918-1921. Seu nascimento ocorreu em Chechelnyk, enquanto percorriam várias aldeias da Ucrânia, antes da viagem de emigração ao continente americano. Chegou no Brasil quando tinha dois anos de idade.
A família chegou a Maceió em março de 1922, sendo recebida por Zaina, irmã de Mania, e seu marido e primo José Rabin. Por iniciativa de seu pai, à exceção de Tania – irmã, todos mudaram de nome: o pai passou a se chamar Pedro; Mania, Marieta; Leia – irmã, Elisa; e Haia, Clarice. Pedro passou a trabalhar com Rabin, já um próspero comerciante.
Clarice Lispector começou a escrever logo que aprendeu a ler, na cidade do Recife, onde passou parte da infância. Falava vários idiomas, entre eles o francês e inglês. Cresceu ouvindo no âmbito domiciliar o idioma materno, o iídiche.
Foi hospitalizada pouco tempo depois da publicação do romance A Hora da Estrela com câncer inoperável no ovário, diagnóstico desconhecido por ela. Faleceu no dia 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu 57° aniversário. Foi inumada no Cemitério Israelita do Caju, no Rio de Janeiro, em 11 de dezembro.


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