04 agosto 2017

Coluna: Review TNG #2!


E O FINAL DE FAIRY TAIL, PRESTOU?



Depois de onze anos e cerca de quinze arcos diferentes, 'Fairy Tail', o manga criado por Hiro Mashima finalmente teve seu fim na última segunda feira (17/07/2017) e sinceramente, divide opiniões, com um final aberto e não muito adequado para quem esperou os grandes embates desse desfecho.

A história de 'Fairy Tail' vai se alterando conforme os arcos vão se desenvolvendo, mas em suma acompanhamos a jovem sonhadora Lucy, que almeja conquistar uma vaga na famosa guilda de magos, Fairy Tail. Acontece que no universo desse enredo, o mundo é habitado pelas mais variadas criaturas místicas e poderosas. Dessa forma, para combater ou ajudar os cidadães que não dominam a magia, criaram-se guildas, locais onde diversas pessoas se reúnem para conseguir empregos provisórios executando missões. A Fairy Tail, por sua vez, é uma das mais comentadas do momento e tudo que nossa mocinha deseja é fazer parte dela. Não é atoa que Lucy acaba cruzando com Natsu e Happy, dois membros da guilda, e dessa amizade repentina, nasce um laço forte que não só fará Lucy alcançar seu sonho, como também a se meter em aventuras inesquecíveis com seus novos amigos.

Esse seria sem dúvidas um resumo simplório da obra sem explorar muito profundamente e não dá spolers sobre tudo o que rola no mangá. No entanto, afunilando um pouco mais a trama, conhecemos então diversos personagens. Desses, destacamos GrayErzaNatsuWendy e Lucy, que são nossos "principais" por assim dizer. Cada um possui um arco muito forte dentro da história para desenvolver o seu passado, e estão estritamente interligado com as raízes da Fairy Tail, que esconde muitos segredos mal solucionados, criados desde sua fundação com a primeira mestra da guilda, Maves.


Seu eu tivesse que descrever a grande parte dos arcos desse mangá, com certeza seria divertido. 'Fairy Tail' foi uma trama que começou com um tom bem bobinho e juvenil, sem grandes expectativas, mas com o desenvolvimento, acabou ficando mais pesada e violenta. Sem dúvidas, essas características me agradaram. Seus protagonistas são muito verdadeiros e cômicos. Não tem como não se apegar pelas frases de efeito de Natsu, ou pelos dramas pessoais que são bem explorados no decorrer da história. O traço de Mashima é um dos meus favoritos. No começo parecia um tanto amador, mas ele vai se aperfeiçoando e se tornando mais seguro. Além disso, ele foi um dos poucos mangakas que realmente empoderou suas personagens femininas, não transformando elas em mocinhas em perigo, ou esquecendo de suas habilidades. Tanto Erza e Lucy, quanto Wendy crescem muito dentro dos arcos, e eu me arrisco a dizer que são sem dúvidas as mais fortes (inclusive mais do que os homens, na minha humilde opinião).

Mas o desfecho do mangá, para mim, deixou a desejar. Agora você pode estar se perguntando, porque? Depois de tantos elogios, como não gostou do final? Pois é. Foi decepcionante. E eu tenho um misto de nostalgia e raiva para com esse final. O problema de 'Fairy Tail' é com certeza primordial, desde o inicio do mangá. Como eu disse, a ideia do autor no começo parecia muito infantilizada e puxada mais para o lado da comédia. A ação e até mesmo o drama dos personagens eram coisas secundárias, que seriam mostradas e resolvidas com facilidade. No inicio esse método até funcionou bem. O problema é que em alguns arcos, o tom mais pesado da história e até mesmo a ideia central desse arco, exigiam maior ousadia do autor. E quando digo ousadia estou me referindo a matar personagens sem dó nem piedade para criar uma atmosfera mais densa, intensa e emotiva, para que aquele clima mais sombrio não se tornasse tão banal de uma cena para a outra. O último arco do mangá narrou uma guerra entre dois reinos, de forma que o reino adversário da Fairy Tail era tido como um dos mais poderosos, inclusive seus magos são superiores. O primeiro ponto que me chateia é que devido ao imenso protagonismo dessa obra, nenhum personagem morreu ou teve grande perda nessa guerra. E isso faz com que o sentindo de verissimilhança se perca totalmente. Quando se imagina uma guerra, você já pensa nas inúmeras mortes. Claramente não só do lado adversário. Sabemos que pode acontecer para ambas as partes. Como finalizar uma guerra entre dois reinos, sendo que um dos reinos é mais forte e mesmo assim ninguém do outro morrer ou tem alguma perda significativa? Isso tornou as cenas de batalha tão sem graça e mentirosas, porque seus personagens estavam sempre milagrosamente ganhando, mesmo quando todas as apostas estavam contra eles.

O segundo ponto que me desagrada é a falta de explorar personagens secundários. Quem acompanha as temporadas de animes, sabe que animes longos como 'Naruto' e 'Dragon Ball' tende a ter episódios fillers, que são fora do canônico, ou mais explicadamente, não fazem parte da história da obra original que foi adaptada (os mangás). A maioria dos autores utilizam dessa possibilidade para dá mais espaço para seus personagens secundários, falar sobre eles e explicar suas origens. Em 'Fairy Tail' essa possibilidade está vetada. Tanto no mangá quanto no anime, sempre os mesmo personagens recebem destaque, enquanto que os demais são só presenças ou figuras ilustrativas em batalhas. Uma pena já que haviam tantos secundários promissores que eu gostaria de saber mais. O espaço dentro da obra é dado apenas para os protagonistas e nada mais.


E por falar em protagonista, chegamos ao terceiro e último ponto que me desagradou imensamente nesse desfecho. Para quem estava acompanhando, rolou o embate de Natsu contra o principal vilão da série. Muito antes de aparecer, essa figura já era tida como alguém absurdamente poderosa, de forma que a luta entre eles seria impossível de acontecer sem um suporte. Por isso o autor juntou sete personagens para combater a ameaça. Até nesse ponto tudo era aceitável, já que a força do vilão era realmente grande. A ideia falha quando após diversos momentos de diálogos, Natsu o vence com um golpe só. Esse mesmo esteriótipo de criar um vilão implacável e depois derrotá-lo com uma facilidade absurda tem predominado nos mangás ultimamente (codinome Bleach), e isso é um fator que me irrita muito, porque, novamente, o horizonte de expectativa do leitor é quebrado pela decepção de esperar algo grandioso e receber uma pequena parcela de nada.


Dessa maneira, sou incapaz de aceitar esse último arco como final. O arco anterior do mangá foi muito mais brutal e verídico do que o desfecho todo idealizado e sem grande carga dramática. Uma pena realmente, já que a ideia geral do mangá é tão interessante, seus personagens tão legais e o ritmo tão gostoso e engraçado. Como eu disse, faltou a Mashima ousar mais, arriscar e acreditar que seus fãs/leitores seriam capazes de lidar com perdas. Sua insistência e não sacrificar personagem algum, ou até mesmo em fazê-los vencer batalhas mais duras com uma facilidade inaceitável, tornaram o fim da obra banal e sem qualquer sentido verdadeiro de crescimento, pelo menos para mim. A tonalidade de 'Fairy Tail' ora parecia sombria demais, ora infantil demais e isso persistiu do começo ao fim. E para a nossa tristeza, acabou, e não da maneira que merecia. 

Sem dúvidas entre 'Naruto', 'Bleach' e 'Fairy Tail', eu ainda gosto mais do final de Mashima, mas isso não o poupa dos tropeços ou do medo. Para os próximos mangás que acompanhar, temo mais finais não tão agradáveis, infelizmente, já que a fórmula do "cague o último capítulo" parece ter virado moda no Japão. Como fã me sinto realizado, triste, nostálgico e sem dúvidas, decepcionado. Um misto de sentimentos que ilustra bem a confusão que foi esse desfecho.

E você, já leu ou acompanha o anime 'Fairy Tail'? Quer ler? Comenta com a gente!


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