Resenha #171 - O Urso e o Rouxinol!






Título: O Urso e o Rouxinol
Autora: Katherine Arden
Editora: Fábrica 231
Ano: 2017
Especificações: Brochura |320 páginas
ISBN: 13: 9788595170230
 Sinopse
Guerra dos tronos encontra Mitologia nórdica, bestseller de Neil Gaiman, neste conto de fadas ambientado na Rússia medieval. Romance de estreia da norte-americana Katherine Arden, que morou dois anos em Moscou.
O urso e o rouxinol mistura aventura, fantasia e mitologia ao acompanhar a jornada da jovem Vasya, criada, junto aos irmãos, num vilarejo próximo de uma floresta, e que cresceu ouvindo de sua ama contos e lendas sobre criaturas que vivem nas matas e que precisam receber oferendas para manter o mal adormecido em seu interior. Mas a chegada de Anna, madrasta de Vasya vinda da capital, de hábitos católicos, e de um padre ortodoxo que resolve instituir as práticas cristãs no vilarejo, provoca uma mudança na rotina da menina e abre as portas para uma terrível catástrofe. Sensível e determinada, Vasya é a única que consegue enxergar e conversar com esses seres fantásticos e torna-se a última esperança para salvar o povoado onde nasceu da destruição.
Cortesia Grupo Editorial Rocco (Selo Fábrica 231)


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AVALIAÇÃO PESSOAL
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Depois de viajar pelas lendas polonesas em 'Enraizados' da Naomi Novik (aventura maravilhosa. Resenha aqui), em 'O Urso e o Rouxinol', fui levado pela Katherine Arden a conhecer a Rússia da Idade Média e os segredos que regem o poder e a magia desse cenário. Com o inverno russo servindo de pano de fundo para uma narrativa maquiavélica e mágica, somos apresentados aos costumes, crenças e comportamentos daquela parte do mundo.

Por mais que a história envolva conspirações para manter o poder da família do Grão-príncipe no poder, a personagem principal é Vasilisa, uma jovem garota do norte de Rus’ (como era conhecido o território que hoje em dia se chama Rússia), que desde o seu nascimento tem algo de especial em sua essência, graças a linhagem de sua mãe. No entanto, graças aos interesses do Grão-príncipe, Anna Ivanovna, sua madrasta, atravessou o caminho de Vasilisa e começou a perseguir a garota, pois ela não era o modelo de mulher da época, além de não ser a pessoa mais normal do mundo, pois o seu contato com os espíritos domésticos era muito forte. 

Só que além de não facilitar a vida de Vasya, Anna proíbe os empregados de fazer oferendas aos espíritos domésticos, pois os considera demônio, e qualquer ritual voltado para eles e banido. Isso coloca a família de Vasya e todo o vilarejo que está sob o seu protetorado em perigo, pois a colheita se torna escassa e as criaturas malignas da floresta começam a atormentar o vilarejo. Com isso, Vasya tem que ir contra todas as normas sociais e as expectativas sobre ela para conseguir proteger o seu vilarejo e sua família dos males que se aproximam.

Com uma narrativa impessoal, terceira pessoa ou narrador onisciente, Arden nos possibilita ter uma visão completa de todo o cenário de 'O Urso e o Rouxinol'. O núcleo da família de Vasilisa é importante, porém, a diversidade de idade entre os personagens traz a necessidade de se olhar para cada um de uma forma única. Quando Anna adentra o cenário, conseguimos perceber que ela tem algo em comum com Vasya, mas ela compreende isso de forma diversa, com isso, o narrador onisciente permite um olhar para todos esses personagens, sem quebrar o ritmo da narrativa.

Os personagens do livro são bem construídos dentro do cenário, pois eles nos permitem conhecer mais dos costumes e da realidade do cenário, o qual a narrativa está estabelecida. Já o núcleo da corte de Moscou são mais requintados e tem costumes diferentes do norte de Rus’, pois são pessoas mais “interioranas”, consequentemente, por mais educada que sejam (como o caso de Olga), elas são pessoas com comportamentos mais simplistas. Essa diferença fica muito bem estabelecida e remonta uma variedade que encanta durante a leitura.

Além desses dois ambiente, ainda existem os espíritos e os seres sobrenaturais, que trazem uma dinâmica bem interessante para o história, fazendo com conheçamos as lendas e os mitos criados pela autora.

Encarando a obra como um todo, senti uma leve semelhança do enredo com 'As Crônicas de Gelo e Fogo' (pelo menos com o enredo da série, pois é a única obra associado a marca que tive acesso de forma integral), porque ao mesmo tempo que tem um jogo de manipulações, algo mágico e mítico ronda o universo. No entanto, isso só me pareceu na essência do enredo, pois o cenário, os personagens e a problemática central da história seguem caminhos completamente diversos. 

Gostei bastante da protagonista, mas gostei muito mais da mãe dela, (não sei o que me deu esse ano, mas eu passei a criar apego com personagens com curto tempo de duração dentro da narrativa). Marina e Pyort têm uma história de amor muito bonita, pois a paixão deles é algo inegável dentro dos acontecimentos. Só que Marina, durante o primeiro capítulo, se sobressai na narrativa com o seu jeito materno e sua fé nas crenças de seu povo e linhagem. Queria ter tido mais tempo para conhecer ela, pois parecia ser uma mulher admirável (todos dentro da trama falam dela a todo o momento).

'O Urso e Rouxinol' foi uma ótima forma de conhecer a Rússia medieval. Livros com esse cunho histórico normalmente me agradam bastante, porém, ficava perdido em alguns momentos com a variação dos nomes dos personagens, pois dependendo da forma/relação entre os personagens, o nome pode variar (deve ser um recurso da língua russa usado pela autora para tornar a obra mais verossímil).

A edição está linda, os personagens são bem carismáticos, o enredo evolui bem, porém, minha leitura ficou emperrada durante alguns momentos. Não sei se foi por causa da sucessão de acontecimentos, ou o fato da narrativa alternar entre cenários em algumas partes, mas tive um pouco de dificuldade de terminar o livro. De toda forma, não é uma obra ruim, na verdade, ao lado de 'Cordeluna' (Editora Biruta), 'O Urso e o Rouxinol' estará entre minhas indicações para os meus alunos que gostam de livros de fantasia com esse cunho histórico, porque cumpre muito bem o seu papel. Por isso, minha avaliação vai ser quatro estrelas.



Nascida em Austin, no Texas, Katherine Arden passou um ano do ensino médio em Rennes, França. Após ser aprovada para a Middlebury College em Vermont, ela adiou a inscrição por um ano para viver e estudar em Moscou. Na Middlebury, especializou-se em literatura francesa e russa. Depois de formada, mudou-se para Maui, Havaí, e atualmente vive em Vermont.




5 comentários

  1. Oi, Elizane!
    Eu quase não reconheci o livro, mas curti a capa dele e tem a ver com a galera que é direcionada.
    Menina, acredita que esse mês que vem sai o segundo? Eu jurando que seria único.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe das promoções em andamento e ganhe prêmios maravilhosos

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  2. Gostei muito dessa resenha, parabéns :D

    http://submersa-em-palavras.blogspot.com.br/

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  3. Olá,
    Livros medievais tem normalmente uma estrutura bem parecida na hora de apresentar os personagens, e toda a questão do padrão de jornada do herói também, por isso você deve ter visto uma certa semelhança com as Crônicas de Gelo e Fogo, já senti isso lendo outros livros do tema também, todo eles tem uma "fórmula base" em comum.
    Eu não percebi se em algum momento você citou se a escritora é russa ou não, tenho um certo receio quando autores de outro país resolvem escrever sobre outra cultura por que acaba fazendo uma certa confusão e uma distorção da mitologia e história, mas existem exceções claro.
    Não me lembro de ter lido nada sobre a Rússia medieval, e confesso que não é um estilo que gosto muito de ler, mas quem sabe dê uma chance né?
    xoxo

    Planeta 94

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    1. Agora eu vi a bio da autora que diz que ela é americana :v

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  4. Oi
    nunca li nada que se passava na Russia e nem sabia que tinha livros da Russia Medieval, mas pelo que falou parece ser uma boa história e que bom que gostou da protagonista. Serie legal ler um livro desses e conhecer uma nova cultura.

    momentocrivelli.blogspot.com.br

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