Coluna: Na Tela #43!



Trinta anos depois, uma narrativa é retomada e adaptada para a “televisão” (ou para o monitor, já que estamos falando de uma série produzida por um canal de streaming) e faz um sucesso imenso com a crítica, causando uma grande comoção social pelo tema abordado. 'The Handmaid’s Tale' foi um seriado que estreou em abril de 2017 pelo Hulu (sistema de streaming), faltando poucos meses para a cerimônia do Emmy (o Oscar da televisão americana) e conseguiu carregar diversos prêmios, inclusive o Prêmio da Melhor Série do Ano. Por isso, abrindo as colunas sobre série esse ano, roubo um pouquinho do espaço do Anderson para falarmos mais sobre.





Sinopse: A história acompanha a vida de Offred, uma criada na casa do líder da República de Gilead. Esta é uma sociedade totalitária onde a alfabetização foi proibida para mulheres. Ela surgiu com a catástrofe ambiental e com o avanço da baixa natalidade. Tendo como base o fundamentalismo religioso, esta sociedade trata as mulheres como propriedades do estado. Offred é uma das últimas mulheres férteis, o que a leva ser utilizada como escrava sexual com o objetivo de ajudar a repopular o planeta devastado.





Elenco: Elisabeth Moss (Offred), Joseph Fiennes (Fred Waterford), O.T. Fagbenle (Luke), Samira Wiley (Moira), Yvonne Strahovski (Serena Joy Waterford), Alexi Bledel (Ofglen), Amanda Brugel (Rita), Ann Dowd (Lydia), Edie Inksetter (Elizabeth), Erin Way (Erin), Ever Carradine (Naomi Putman), Jim Cummings (Burke), Jordana (Hannah), Madeline Brewer (Janine) e Max Minghella (Nick)

Inspirada em um livro de mesmo nome (lançado no Brasil como 'O Conto da Aia'(tem resenha nossa sobre o livro aqui no blog, clica aqui), 'The Handmaid’s Tale' conta a história de uma crise mundial de “infertilidade feminina” forçando a sociedade norte-americana a tomar medidas desesperadas para tirar a humanidade do risco de extinção. Com isso, a República de Gilead é instaurada e um regime teocrático totalitário assume o país. Rapidamente novas regras e leis são incrementadas ao cotidiano dos cidadãos. Uma situação de crise, como o risco de extinção da vida humana, exigia atitudes enérgicas do governo e sacrifícios precisavam ser feitos. Não é mesmo? 

Encarando toda a trama pela perspectiva dos líderes, era isso que acontecia em 'The Handmais’s Tale', no entanto, o cenário é contado pelos olhos de Offred (ou June, na série), uma mulher que teve sua vida mudada pelas novas regras do país e é exposta a uma situação de estupro todos os meses, pois ela possui um útero fértil e pode proporcionar “a salvação da raça humana”. No entanto, essa não é a única atrocidade sofrida por Offred e as demais mulheres do país de Gilead, pois as mulheres inférteis são colocadas a margem da sociedade e praticamente descartadas, isso quando não são colocadas para servirem de empregadas domésticas ou prostitutas.

Com todo esse enredo, que com certeza causaria comoção social, 'The Handmaid’s Tale' contava com atrizes como Elisabeth Moss (Mad Man), Alexis Bledel (Gilmore Girls), Yvonne Strahovski (Chuck, Dexter), Ann Dowd, Samira Wiley, entre outros artistas. Podem ficar surpresos por só citar atrizes presentes no elenco, mas a figura feminina, mesmo sendo bastante judiada no cenário por causa da crítica feita, é uma figura muito presente em todos os âmbitos da série. O elenco conta com várias atrizes, como se pode perceber, e cinco dos dez episódios da série foram escritos e dirigidos por mulheres, mostrando que 'The Handmaid’s Tale' não está só criticando o tratamento dado para a mulher na sociedade, mas que o seriado oferta espaço para elas dentro da sua própria produção.

Constituído com dez episódios, a série é aterrorizante, ao mesmo tempo em que é necessária, pois nela se discute valores sociais voltados para a mulher muito presentes na sociedade, que deveriam ter sido recriados ou refeitos. A castidade e submissão feminina, a ausência de sororidade (palavra comentada e descrita no livro com louvor), a alienação masculina diante da mulher, todos esses aspectos são trazidos a tona e nos fazem refletir o caminho que a sociedade está tomando.


É uma série realmente incrível, com uma fotografia maravilhosa e com atuações impecáveis, pois, para quem não sabe, o seriado conseguiu arrebatar todas as estatuetas de atuação feminina do Emmy 2017, logo, atuação feminina de qualidade é algo que transborda em 'The Handmaid’s Tale'. 

CLASSIFICAÇÃO
 

Indico que assistam esse seriado, pois ele trás reflexões muito importantes, porém, é um seriado tão forte que aconselho você digerir as coisas com parcimônia, porque não é uma história feliz e nem sabemos se o final será feliz.

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