Coluna: Na Tela #44!




Roubando o espaçozinho do Anderson aqui no blog (esse ano não tá fácil ele voltar a assumir a coluna dele porque todo mundo quer falar de alguma série), hoje eu vou comentar um pouquinho sobre minhas impressões de 'Altered Carbon' (Carbono Alterado na tradução livre), mais nova produção da Netflix.







SINOPSE: Baseada na obra de Richard K. Morgan, a trama se passa em 700 anos no futuro, quando o ser humano adquire a capacidade de transferir a própria mente para outros corpos, tornando a possibilidade da morte muito menor. Porém, um assassinato ocorre, e o detetive Takeshi Kovacs (Joel Kinnaman, de The Killing) é o encarregado pela investigação.








Elenco: Joel Kinnaman (Takeshi Kovacs), Kristin Lehman (Miriam Bancroft), James Purefoy (Laurens Bancroft), Chris Conner (Poe), Martha Higareda (Kristin Ortega), Renée Elise Goldsberry (Quellcrist Falconer) e Dichen Lachman (Reileen Kovacs).

A série tem uma pegada extremamente policial, apesar de todos os elementos de ficção cientifica ou futurísticas que você possa imaginar, então, embora o foco seja mostrar esse mundo distópico, grande parte da trama foca especificamente em uma verdadeira busca de solucionar mistérios e mortes. Em uma visão ampla, eu realmente não gostei e nem desgostei da série. Acho que 'Altered Carbon' tem um enredo muito amplo com diversos pontos interessantes para abordar, mas passa muito tempo tentando apresentar e situar o telespectador e faz cortes exagerados para cenas de ação que ao meu ver poderiam ter sido guardadas para um pouquinho mais tarde. Dessa forma, na maior parte do tempo eu adorei a série, principalmente quando o foco era trabalhar literalmente a investigação que o personagem Takeshi (Joel Kinnaman) está tentando solucionar, mas confesso que encontrei alguns problemas na produção que não me deixam denominá-la como uma SÉRIE FODA de ficção cientifica. Para quem não sabe, a produção foi inspirada e adaptada de um livro com mesmo nome, e não sei opinar qual o grau de fidelidade com a obra. 

Com a média 8,3 pelo site IMDB, o primeiro ponto que me incomoda na série é justamente os elementos científicos que a mim não ficaram tão claros. Explica-se que os seres humanos podem mover suas mentes para outros corpos, habitar outros planetas, mas você realmente não recebe um feedback melhor de como todo esse processo começou. Sabe quando a história só por ela não trás todas as informações? Essa foi a impressão. Eu realmente acho que o roteiro deixou muito a desejar no quesito de explicar melhor esses mundos onde os personagens vivem, como foram descobertos, ou como se tornou habitável. Fica evidente um avanço tecnológico gigantesco, no entanto, nada e explicado com maior detalhe, só informações mais básicas. Senti falta desse maior plano de fundo.


O segundo contraponto são os personagens. Tirando Takeshi, e sua mestre Quell (Renée Elise Goldsberry), irmã Reileen (Dichen Lachman) e a policial Ortega (Martha Higareda), quase nenhum outro personagem secundário tem um arco maior dentro da trama. Embora todos os outros estejam conectados com o caso que o protagonista está investigando, eles raramente tem algum destaque relevante quando os episódios começam a acontecer. E isso foi um tanto quanto desapontante, já que a trama tem tantos outros membros tão interessantes quanto os que são primeiramente apresentados. O próprio Poe (Chris Conner) inteligência artificial que ajuda Tanaka, mostra ser um personagem muito interessante e complexo, mas na maior parte do tempo ele surge apenas como alívio cômico ou em cenas de ação, infelizmente.

Vale lembrar que o fato dos personagens não terem um arco maior não faz das interpretações dos atores algo ruim. Pelo contrário. Os protagonistas vividos por Kinnaman e por Higareda são muito verdadeiros e o telespectador consegue automaticamente se cativar por eles. Os atores mostram uma química inegável em todas as cenas e saem excelentemente como dupla. Igualmente a Lachman que devasta você com seus ideais distorcidos e alucinantes.


Eu não consideraria 'Altered Carbon' uma série ruim. Eu avalio ela como mediana. Os efeitos utilizados pela Netflix são impressionantes, mas o número de capítulos e a falta de uma maior exploração desses elementos que constituem esse mundo, fazem da série, em alguns momentos, pedante, cansativa e um tanto sem pé nem cabeça. Você literalmente precisa viajar na vibe dos episódios para poder se envolver. Com certeza não acho que seja algo leve e nem rápido de se assistir. Alguns episódios são extremamente pesados.

CLASSIFICAÇÃO

Os debates filosóficos sobre até onde você abandonaria sua humanidade para conseguir viver mais são interessantes, porque conceitos religioso, pessoais, sociais e políticos são constantemente ferroados em críticas bem tecidas. E esse foi o ponto que mais me agradou. Contudo, não foi uma série fácil de digerir e possui elevadas cenas de nudes ou violência pesada (com direito a esfaqueamento, tortura e outras coisinhas mais). Acho que no campo de ficção cientifica, 'The 100' acerta bem mais o meu gosto pessoal, no entanto, 'Altered Carbon' tem suas relevâncias e defeitos que merecem sim, uma chance para provar seu valor.

E você, já assistiu? Quer assistir? Comenta com a gente.


3 comentários

  1. Oi, Emerson!
    Menino, já sabe o que acho dessa série né? Eu amei <3 mas admito que a partir do ep 7 (creio eu) ela se perdeu um pouco.
    Beijos
    Balaio de Babados

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    Respostas
    1. Oi Lu!
      Como eu disse eu achei bem enrolado :( Eu acho que o ritmo podia ter sido melhor.

      Abraços
      David
      http://territoriogeeknerd.blogspot.com.br/

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  2. Olá, David.
    Estou igual a você. Gostei muito de algumas coisas e desgostei de outras. Como sou meio perdida no gênero, eu espero que tenha tudo bem explicado, e fiquei perdida em algumas coisas.

    Prefácio

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