21 junho 2017

Resenha #149 - A Profecia das Sombras (As Provações de Apolo Vol 2)!




Título: A Profecia das Sombras
Coleção: As Provações de Apolo Vol 2
Autor: Rick Riordan
Editora: Intrínseca
Ano: 2017
Especificações: Brochura |336 páginas
ISBN13: 9788551001714
 Sinopse

Não basta ter perdido os poderes divinos e ter sido enviado para a terra na forma de um adolescente espinhento, rechonchudo e desajeitado. Não basta ter sido humilhado e ter virado servo de uma semideusa maltrapilha e desbocada. Nããão. Para voltar ao Olimpo, Apolo terá que passar por algumas provações. A primeira já foi: livrar o oráculo do Bosque de Dodona das garras de Nero, um dos membros do triunvirato do mal que planeja destruir todos os oráculos existentes para controlar o futuro. 
Em sua mais nova missão, o ex-deus do Sol, da música, da poesia e da paquera precisa localizar e libertar o próximo oráculo da lista: uma caverna assustadora que pode ajudar Apolo a recuperar sua divindade — isso se não matá-lo ou deixá-lo completamente louco. 
Para piorar ainda mais a história, entra em cena um imperador romano fascinado por espetáculos cruéis e sanguinários, um vilão que até Nero teme e que Apolo conhece muito bem. Bem demais. 
Nessa nova aventura eletrizante, hilária e recheada de péssimos haicais, o ex-imortal contará com a ajuda de Leo Valdez e de alguns aliados inesperados — alguns velhos conhecidos, outros nem tanto, mas todos com a mesma certeza: é impossível não amar Apolo.

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AVALIAÇÃO PESSOAL
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RESENHA POSTADA ORIGINALMENTE NO BLOG DE CARA NAS LETRAS

Apesar de se tratar de um dos meus autores favoritos, em ‘A Profecia das Sombras Riordan falhou comigo. Além de um ritmo cansativo, achei o enredo enrolado e uma trama nada atrativa, que apesar de trazer pontos relevantes e interessantes, em grande parte mostra também um número ainda maior de problemas que temo encontrar nos próximos volumes dessa série. O segundo momento da saga de Apolo, pra mim, foi uma falha em cerca de 50% da história.

Depois de enfrentar o primeiro dos imperadores que retornam a vida e descobrir traições que não esperava, Apolo volta em mais uma missão impossível enquanto tenta a todo custo salvar mais um oráculo, juntamente com Leo Vadez e Calipso. A jornada deles acaba levando-os a Indianópolis, onde mais um imperador reina. Mas dessa vez as apostas são maiores. Não só o oráculo está em jogo, como também a vida de todos que estão ao seu redor. Será que Apolo consegue novamente suprimir seu ego de deus e trabalhar em equipe com os semideuses para restabelecer o equilíbrio, provar seu valor a Zeus e recuperar sua divindade?


Narrado em primeira pessoa, vemos novamente toda a trama se desenvolver de acordo com o ponto de vista do ex ser divino. Apolo, agora, frágil e destituído de seus dons, ele tenta a todo custo provar para si e para os outros que pode ajudar. E esse é um lado positivo dessa obra. Riordan trabalhou muito bem toda a fragilidade e sentimento de impotência que um deus, sempre imortal, teria caso fosse transformado em mortal. Gosto da forma como Apolo parece tão humano quanto os outros, e apesar das eras de experiência e lembranças, isso não o torna menos inclinado a falhas. Pelo contrário, em grande parte são o que lhe define. E esse sentimento de humanidade nele, pra mim, é importante. Embora seu ego fale alto em diversos momentos da história, sempre, de maneira sutil, ele parece se tornar um pouco menos prepotente e mais compreensivo.

Mas isso não muda o fato de que 'A Profecia das Sombras' me causou um cansaço gigantesco em sua leitura. O primeiro problema desse livro comigo começa justamente no humor. Em todas as sagas de Riordan, esse humor ácido ou irônico que seus personagens apresentam sempre foi uma boa pedida para tornar tudo mais leve e rápido, entretanto, com 'As Provações de Apolo', esse tom brincalhão não pegou muito bem em todos os momentos. Achei o humor uma característica bem exagerada e desnecessária nesse volume. Partes que poderiam ter sido melhor exploradas ou bem mais sentimentais, tornaram-se banais porque os personagens pareciam ter um desejo incontrolável de fazer piadinhas. E é justamente que por não levar nada a sério, que cria-se outro conflito: pouca exploração de cenas interessantes. Por toda a obra, percebemos que o autor quis mexer um pouco mais com o lado sentimental de Apolo, de forma que seu maior inimigo nesse livro é seu próprio coração e os erros que cometeu no passado. Em suma, seus fantasmas retornam para assombrá-lo e cobrarem seu preço, mas devido a tanta banalidade com piadas sem sentidos, as cenas que deveriam ter sido bem mais desenvolvidas, acabam perdidas em misto de cômico e rapidez. Até os personagens secundários, com dramas legais, ficam dispersos em meio a tanta graça sem sentido.

"Só existe a possibilidade de fracassar quando paramos de tentar.

Outro problema sério pra mim é a co-protagonização que essa série tem. No primeiro volume isso me passou bem sutil, já que personagens já bem explorados em outras séries do autor (Nico e Percy) surgem só como apoio ou participação. Mas nesse, a presença de Leo e Calipso acaba ficando bem viva por toda a trama e isso faz com que Apolo e sua história sejam um pouco ofuscados. E não é interessante. Pelo menos para mim não foi. Calipso passa grande parte do livro seja enjoada e reclamando de tudo, enquanto Leo tenta ser mais um alívio cômico dentro do enredo (como se ele precisasse de mais piadas). Riordan tenta trabalhar a relação entre os dois personagens e como estão lidando com seu relacionamento nada convencional, e comigo, esse romance não rolou. Em 'Os Heróis do Olimpo' eu realmente consegui me cativar pela maneira como eles se envolvem, contudo, aqui, não fui convencido da mesma coisa, e o que antes pareceu um bom começo, teve um meio um tanto desastroso na minha opinião. A história de Apolo é jogada para o escanteio enquanto mais drama romântico é apresentado. E esse livro é isso: dramas e mais dramas sobre o coração. E talvez uma pitada (bem exagerada) de humor ácido.

Mas apesar de todos esses problemas, a história apresenta muita representatividade e aborda temas interessantes, como relacionamentos abusivos ou questões de gênero e família. 'As Provações de Apolo' é uma saga com potencial, entretanto, precisa ser melhor trabalhada para que seus verdadeiros protagonistas não tenham seu espaço roubado. E quando menciono esse potencial, me refiro aos 50% que salvaram esse livro para mim. Como eu disse, a obra tem cenas legais, poderiam ter sido melhor desenvolvidas. Entretanto, mesmo não tão bem contadas, consegui me encontrar nas páginas me emocionar com suas passagens um pouco mais pesadas ou até mesmo tocantes.

Temeroso, ainda pretendo ler o terceiro volume, mas claramente com um pé atrás. 'A Profecia das Sombras' foi uma leitura decepcionante de certa forma, e arrastada para mim. Houveram momentos em que a história poderia ser facilmente resumida a uma ou duas páginas, e o resto parecia só uma forma de ganhar tempo. Riordan sempre me encanta com sua escrita e forma descontraída com que narra os acontecimentos, mas dessa vez, a fórmula não me convenceu e a química não rolou como das outras vezes.


Rick Riordan nasceu em 1964, em San Antonio, Texas, Estados Unidos, onde mora com a mulher e dois filhos. Durante quinze anos ensinou inglês e história em escolas públicas e particulares de São Francisco. Além da série Percy Jackson e os Olimpianos, publicou a premiada série de mistério para adultos Tres Navarre.




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