Coluna: Top Top #19!



Os espaços sociais são muito controlados pelo moralismo alheio, pois a busca pela representatividade não está somente na luta por espaço dentro da sociedade, porém, está também na luta por espaço em meio as diversas manifestações artísticas (personagens gays só começaram a poder ter o seu beijo exibido nas novelas após o começo dessa década, antes, terminava com o casal de mão dada e o público que fique muito satisfeito com isso). No entanto, mesmo que de forma tímida, existem diversos personagens que marcam e são adotados pela representatividade que traz para o público LGBT’s. Por isso, pedi licença ao David para fazer uma com alguns que, na minha humilde opinião, marcaram de alguma forma o mundo (ou somente a minha vida) sendo representados em séries e filmes.

Para iniciar, preciso falar de uma série incrível que mudou bastante a minha adolescência, pois foi nela que vi os primeiros beijos gays e foi nela que passei a me sentir mais acolhido pela sociedade por causa das lições ensinadas. 

'Glee' (tem indicação aqui na coluna de séries. Clica aqui) estreou em 2009 abordando o bullying, como temática central, com diversos grupos dentro do contexto escolar, além de abordar esteriótipos sociais de forma construtiva (o valentão que não tinha um lar saudável, o homofóbico que era gay enrustido, entre outros). Dentro dessa série, conhecemos diversos personagens que representam o grupo LGBT’s, porém, mesmo gostando de todos, escolhi dois personagens que conquistaram a minha empatia com o desenrolar das suas histórias no seriado. 

SANTANA - GLEE


Santana Lopez, uma líder de torcida latina com um humor ácido bem pesado, era uma “vilã de novela juvenil” como qualquer outra, porém, Ryan Murphy foi desconstruindo ela e você percebe que o lado odioso da Santana é uma defesa contra um mundo muito tirano. No episódio em que ela conta a sua avó a sua sexualidade, ela não a aceita e a expulsa de sua casa pedindo para que nunca mais voltasse. Senti um aperto no coração, pois os parentes mais velhos são os mais difíceis de aceitar em alguns casos, e falar para eles é muito complicado. Santana é a prova real de pessoas que sofrem com o medo de um mundo homofóbico e preconceituoso, e em resposta a isso, ela ataca o mundo de forma direta mantendo todo mundo longe dela e com medo de suas ações. Tenho muito carinho por essa personagem <3 


WADE - GLEE


Além da Santana, no fim de terceira temporada, aparece o Wade, um garoto integrante do coral adversário que tinha uma peculiaridade incrível e queria se expor para o mundo, porém, todos lhe limitavam sem pensar duas vezes. O Wade, quando subia nos palcos, tornava-se Unique, uma drag queen afro-americana com uma voz potente e uma presença de palco inigualável, conquistando todos com a sua apresentação. No entanto, com o passar do tempo, ele ganha mais destaque na série e parece se revelar uma garota trans, pois a Unique se revela mais que uma personalidade assumida pelo Wade durante as apresentações; ser Unique passa a ser uma necessidade psicológica do rapaz. 

Durante a quarta temporada, um personagem começa a ter um relacionamento virtual com uma garota desconhecida e ele consegue se apaixonar por essa garota, pois ela parecia compreendê-lo e parecia ser uma garota, além de bonita, muito compreensiva e empática. O segredo em volta dessa garota se estende por muito tempo, quando descobrimos que essa garota era o Wade/Unique, que parecia ter se apaixonado pelo rapaz, porém, todo o seu corpo de menino impedia que ele ficasse com ele. (ALERTA DE SPOLER: Essa história termina com o garoto pedindo para o Wade nunca mais falar com ele, porque ele acreditava que aquilo que o rapaz tinha feito foi uma espécie de brincadeira idiota). Essa história do Wade/Unique foi bastante esclarecedora, pois, não era uma questão somente de sexualidade/afetividade, era uma questão de identidade de gênero e isso tornou o personagem muito rico e trouxe uma discussão maravilhosa para o público jovem.


LEO - HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO


Depois desses dois, preciso falar de um personagem mais simples, porém, com sua simplicidade conseguiu me conquistar de forma arrebatadora, pois estamos tão acostumados a ver narrativas mais duras envolvendo homoafetivos e esse filme fala disso de uma forma extremamente delicada. 'Hoje Eu Quero Voltar Sozinho', filme derivado do curta 'Eu Não Quero Voltar Sozinho', conta a história de Leo, um adolescente cego que começa a nutri sentimentos pelo seu amigo novo, Gabriel, enquanto tenta lidar com os problemas da adolescência.

Gosto muito desse filme/curta, porque a forma como é retratada um relacionamento homoafetivo, não é voltada para a problemática do rapaz ser gay, mas sim, a confusão de sentimentos que sentimos quando gostamos de alguém (Será que gosta de mim? Será que é coisa da minha cabeça?). Leo é um amor, deveriam conhecê-lo.


MICHAEL - QUEER AS FOLK


Saindo desse contexto mais leve, preciso falar sobre a primeira série, pelo menos para mim, que decidiu falar sobre os LGBT’s de forma aberta, mesmo com a norma da sociedade sendo casais heterossexuais. A escolhida da vez é: 'Queer As Folk'. Estreada nos anos 2000 na TV americana, 'Queer As Folk' era uma série voltada para o público GLS, na época, pois abordava todas as problemáticas comum ao mundo desse grupo, porém, o principal foco era dado aos personagens gays (mas as personagens lésbicas estavam bem presentes). Na série você encontrava todos os esteriótipos de gays possíveis para a época (a bicha discreta, a bicha pintosa, a bicha promíscua, a bicha inexperiente mas safada, a bicha timida, todas as bichas que você pode imaginar), isso fez com que a minha seleção para o Top 5 se tornasse muito difícil, pois eu gosto e simpatizo com várias delas.  No entanto, tive que escolher e usei um critério pessoal para esse personagem, pois era o que eu mais me identificava na época, pois ele era mais tímido, não sabia lidar com as paqueras do mundo gay e tinha uma paixão reprimida por seu amigo (quem nunca passou por isso?). Michael gostava de quadrinhos e podemos dizer que conseguia se “camuflar” graças a isso, pois os quadrinhos é um passatempo considerado de héteros (coitados rs), porém, era um rapaz muito emocional e afetuoso, não se importando com esteriótipos.


EMMETT - QUEER OF FOLK


Além do Michael, temos o Emmett, que foi escolhido para integrar essa lista por ser um personagem bem peculiar e completamente engraçado com o jeito extravagante e feliz de ser (por isso que o Brian não está aqui). Por ser pintosa, Emmett passa pelo “clássico preconceito”, porém, ele levava tudo no bom humor, funcionando como o alívio cômico dentro da série (que não enfocava só os aspectos negativos de ser gay, mas mostrava pessoas lidando com isso de cabeça erguida sem permitir que o preconceito e a ignorância impeça de ser quem são). No entanto, o personagem não serve somente como o alívio cômico, tem momentos que exigem dele decisões importantes e ele se posiciona como uma pessoa ética e com orgulho, demonstrando a importância de se ter caráter, mesmo quando o mundo joga contra você. 

Tenho um carinho muito forte por esses dois personagens, pois eles pertencem a uma série que eu tinha muita vontade de assistir, porém, tinha medo de isso revelar o meu segredo para o mundo (dez anos parece pouco tempo, porém, na minha época, ser gay era bem mais delicado que hoje em dia – por mais que tivesse bem melhor que no passado). Quando tive oportunidade, já maior de idade, eu assistia escondido da minha família para que não criassem hipóteses antes do tempo, porque o meu maior medo era ser rejeitado por causa dessa minha característica. Eu aprendi muito com o Emmett e com o Michael (com todos os personagens do Queer as folk, na verdade). 

Então, mesmo com toda a dificuldade de escolher só cinco personagens ficcionais, essa é a minha lista de personagens bem resumida (eu tinha pensado em dez, porém, preferi deixar em cinco, pois é mais fácil de escrever sobre eles). Comentem abaixo se conheciam esses personagens e digam para mim personagens LGBT’s da ficção que inspiram ou ensinaram algo a vocês. Se eu não conhecer, vou adorar descobrir, pois amo conhecer histórias que me coloca (e coloca as pessoas como eu) em lugar de protagonismo. Até a próxima! 


4 comentários

  1. Hey Glauber! Tudo bem?
    Confesso que meu arsenal sobre o assunto é pouco, mas me lembro de ter assistido Skins, Garota Dinamarquesa e a própria Pretty Little Liars também abordam a temática do homossexualismo. Fico feliz que o tema esteja aumento e tendo bastante repercussão positiva.
    Obrigada pelo comentário lá no blog.
    Te convido a voltar lá, tá rolando um sorteio mara!!
    Um abraço,
    ~ miiistoquente

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  2. Só se combate o pre-conceito com conscientização. Legal esses seriados abordarem temas assim. Abraços e bom final de semana.

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  3. Oie, tudo bem?
    Primeira vez por aqui =)
    Adorei a coluna e as escolhas! Apesar de nunca ter visto essas séries especificamente, acho super importante que a TV e a mídia em geral dê visibilidade aos personagens LGBT.
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  4. Oi
    dessas serie a única que assisti foi Glee, um serie cheia de representatividade, de pessoas com esteriótipos diferentes. Adorava a Santana e o Wade tinham carga dramatica e de comédia também;

    http://momentocrivelli.blogspot.com

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