Resenha #208 - Fraude Legítima!





Título: Fraude Legítima
Autor: E. Lockhart
Editora: Seguinte
Ano: 2017
Especificações: Brochura | 273 páginas
ISBN: 
13: 9788555340512
 Sinopse
Jule West Williams é uma garota capaz de se adaptar a qualquer lugar ou situação. Imogen Sokoloff é uma herdeira milionária fugindo de suas responsabilidades. Além do fato de serem órfãs, as duas garotas têm pouco em comum, mas isso não as impede de desenvolver uma amizade intensa quando se reencontram anos depois de terem se conhecido no colégio. Elas passam os dias em meio a luxo e privilégios, até que uma série de eventos estranhos começa a tomar curso, culminando no trágico suicídio de Imogen e forçando Jule a descobrir como viver sem sua melhor amiga. Mas, talvez, as histórias das duas garotas tenham se unido de maneira inexorável — e seja tarde demais para voltar atrás.

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AVALIAÇÃO PESSOAL
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Essa leitura não poderia ter sido mais negativa. Depois de uma experiência tão boa com 'Mentirosos', E. Lockhart me garantiu uma leitura arrastada e sem qualquer apego aos seus personagens em 'Fraude Legítima', um livro complicado e na minha opinião, cheio de problemas em sua construção.


Jule e Imogen seriam as duas garotas que você jamais julgaria serem amigas. Mas isso surpreende a todos quando anos depois se encontram e ambas criam um laço forte e marcante. Imogen é herdeira de uma riqueza imensurável. Jule, uma sobrevivente, capaz de se adaptar a tudo. O que as duas tem em comum é serem órfãos e esse talvez seja o salto inicial para essa amizade. Mas por trás de festa cheias de luxos, vestidos caros e bebidas, a mais para se contar. Uma delas dará um passo que pode não ter mais volta.

Acredito que o único motivo que me levou a terminar esse livro foi sem dúvidas a forma como é narrado. Embora seja confuso, é diferente e me fez realmente invadir uma nova zona que não havia me aventurado ainda. Na realidade a leitura em si de 'Fraude Legítima' foi uma fuga da zona de conforto. Contado de trás para a frente, a ideia da autora foi interessante e não vou negar que me pegou de surpresa em alguns momentos. Além disso, Lockhart escreve muito bem e sua escrita fluída guai o leitor até a última página. Mas isso não compensa toda a má estruturação do romance e o erro fatal dessa leitura: as personagens.

Quando se fica longe tempo o bastante, não parece haver muito motivo para voltar.

Vejam bem, não tenho qualquer problema em me apegar a anti heroínas. Na realidade, acho que para um autor criar um protagonista duvidoso é ainda mais difícil do que o celebre herói que estamos tão acostumados. Mas, em qualquer um dos casos, a ideia da narrativa deve ser sempre cativar o leitor a ponto de você realmente achar que as decisões tomadas por essa pessoa, por mais erradas que sejam, pareçam certas dentro daquele contexto. Nesse livro, infelizmente, essa característica não funciona. Se por um lado temos Jule, a personagem mais problemática dessa trama, chata e completamente insossa a tudo; por outro temos Imogen, mimada, revoltante e egocêntrica. A maior parte dos dramas de ambas é muito superficial, e Jule, que parece ter um pouco mais de profundidade, falha fatalmente por não ser explorada adequadamente.

O fato de trabalhar com distúrbios mentais também me perturbou nessa leitura. Achei a temática totalmente jogada ao acaso, e de maneira muito irresponsável. Parece que a autora estava falando de algo, mas na realidade, não adentrava muito com medo de pecar ainda mais. Não pareceu que em momento algum ela estudou para falar sobre aquilo. Era só um mistério, um trhiller, cheio de assassinatos e adolescentes maníacos. Tanto que terminei o livro e senti zero prazer no tempo que gastei lendo-o. O final deixou um gosto amargo.

Por isso, 'Fraude Legítima' é um grande tombo para uma autora que me conquistou tanto na obra passada. Enredo sem sal, coisas mal explicadas e um final aberto e sem consequências que me pareceu irreal e mal escrito.


E. Lockhar descobriu que queria se escritora aos oito anos de idade. Na terceira série, escreveu duas novelas literárias. Ela possui doutorado na Universidade de Columbia de Língua Inglesa com foco em Literatura Inglesa do Séc. XIX e História de Ilustrações de Livros Ingleses. De acordo com seu site, E. Lockhart gosta de museus de cera e gostava de Montanhas-Russas, mas agora tem medo delas. Também era a digitadora mais rápida das aulas de datilografia da 8ª Série, onde aprendia em máquinas de escrever manuais.
Atualmente, seus livros são traduzidos para mais de dez idiomas.


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