Resenha #250 - A Mulher na Janela!





Título: A Mulher na Janela
Autor: A.J Finn
Editora: Arqueiro
Ano: 2018
Especificações: Brochura | 352 páginas
ISBN: 13: 9788580418323
 Sinopse
Anna Fox mora sozinha na bela casa que um dia abrigou sua família feliz. Separada do marido e da filha e sofrendo de uma fobia que a mantém reclusa, ela passa os dias bebendo (muito) vinho, assistindo a filmes antigos, conversando com estranhos na internet e... espionando os vizinhos. Quando os Russells – pai, mãe e o filho adolescente – se mudam para a casa do outro lado do parque, Anna fica obcecada por aquela família perfeita. Até que certa noite, bisbilhotando através de sua câmera, ela vê na casa deles algo que a deixa aterrorizada e faz seu mundo – e seus segredos chocantes – começar a ruir. Mas será que o que testemunhou aconteceu mesmo? O que é realidade? O que é imaginação? Existe realmente alguém em perigo? E quem está no controle? Neste thriller diabolicamente viciante, ninguém – e nada – é o que parece. "A Mulher Na Janela" é um suspense psicológico engenhoso e comovente que remete ao melhor de Hitchcock.

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AVALIAÇÃO PESSOAL
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Um pouco previsível e genérico, 'A Mulher na Janela' é mais um thriller que em nada me surpreende. Utilizando-se de elementos já tão usados em outros, o autor cria uma trama que varia muito em ritmo e não possui uma protagonista cativante.


Anna tem agorafobia, uma síndrome que a fez ficar trancada dentro de casa com medo do mundo. Separada de tudo e todos, seus passatempos se resumem em vê filmes antigos, conversar com pessoas pela internet, beber algumas taças de vinho e espiar a vida dos vizinhos pela janela. Entretanto, nenhuma família do bairro lhe chamou tanta atenção quanto os novos moradores. E sua curiosidade por saber mais dele só aumenta após presenciar uma cena chocante. Agora, emocionalmente instável, ela tenta provar seus argumentos enquanto sua própria mente se torna uma verdadeira armadilha de verdades e mentiras.

Narrado em primeiro pessoa, vemos o enredo todo acontecer sob o ponto de vista da protagonista, distribuído em capítulos curtos e repletos de diálogos. Infelizmente, tais características não salvam o enredo parado e repetitivo. Em cerca de 80% do livro, a maior parte dos fatos é repetida, em um ciclo de eventos desnecessário que não parecem contribuir em nada para a grande virada da obra. Dessa forma, mesmo com o desenrolar rápido dos capítulos, a trama se torna maçante e cansativa, caindo na mesmice.

O problema principal dessa leitura foi exatamente isso: organização e ritmo. Quando os fatos começam a realmente a acontecer, a história flui com mais facilidade, fisgando você mais e mais a cada página. Infelizmente, o autor em prol de tentar construir um elo maior do leitor com a personagem, cria subterfúgios que rompem esse ritmo viciante, e retornam aos eventos chatos e desinteressantes. São poucos capítulos que realmente me mantiveram preso a leitura.

A personagem principal, para mim, também é problemática. Além de muito ingênua (e nesse quesito ela extrapola os limites), sua narrativa não tem carisma, é sem sal. Não consegui sentir qualquer tipo de conexão com ela ao longo de 300 páginas, de forma que ao fim me importava bem pouco com quais rumos sua vida tomava. Só queria que acabasse.

Na realidade, todos os personagens se mostram mal explorados. Você conhece bem pouco dos mais secundários, sempre tendo como centro a construção da principal. Até mesmo o grande antagonista, é clichê e bem desmerecido. Na minha cabeça as voltas que o enredo dá para explicar os motivos de seus atos, não fazem qualquer sentido. Em algum ponto eles parecem não se encaixar. Eu pelo menos achei forçado.

Mas a sim, alguns plots interessantes e um especificamente bem inesperado, é um dos poucos que gostei. Como disse, a organização da narrativa me forneceu pistas para que eu matasse logo de cara a charada do enredo. Quando os fatores finais são revelados, não me surpreendi, eu já os havia previsto (sherloque holmes 100% aqui).

Não desmereço também o mérito do autor na hora de construir sua protagonista. Apesar de repetitivo no começo da leitura, essa evolução da personagem é bastante bem vinda, até para situar o leitor. Nesse sentido, A.J Finn supera muito minha última experiência com o gênero, 'Fraude Legítima' (resenha aqui), que além de fraco não desenvolve bem suas protagonistas.

Sendo assim, 'A Mulher na Janela' é um livro regular, e para mim, nada surpreendente ou tão diferentão como algumas resenhas que li fizeram parecer. Sem grandes pontos cativantes, foi só mais uma leitura esquecível.



Formado em Oxford, A.J. Finn é ex-crítico literário e já escreveu para diversas publicações, incluindo Los Angeles Times, The Washington Post e The Times Literary Supplement. A Mulher Na Janela, seu primeiro romance, foi vendido para 36 países e está sendo adaptado para o cinema numa grande produção da 20th Century Fox. Natural de Nova York, Finn viveu por dez anos na Inglaterra antes de voltar para sua cidade natal, onde mora atualmente.



2 comentários

  1. Oi David! Eu gosto do gênero, mas este livro não me agradou. Eu esperava muito da história e quando li tive a sensação de que era uma mistura de outros livros que já li. Nada criativo. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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    Respostas
    1. Oi Cida!
      Eu fiquei esperando algo diferente também sendo que tinha visto resenhas bem positivas e que falavam que era surpreendente. Achei bem batido tudo. Nada novo como você disse. E com certeza uma mistura. Inclusive a protagonista me lembra muito a de A Garota no Trem.

      Abraços
      David

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