Coluna: Mundo Comics #2!



Diretamente das páginas para essa coluna, esse mês vamos falar um pouco mais de uma das minhas primeiras grandes sagas do universo dos quadrinhos da editora DC Comics: uma saga poderosa e muito pesada, cheia de metáforas e contradições. Até onde os atos tomados por uma pessoa em prol de proteger aqueles que ama ou indefesos, devem ser considerados "heróicos"? Qual é o limite para isso? É justamente esse tipo de pergunta que essa série levanta.



Título: Crise de Identidade
Autor: Brad Meltzer
Editora: Panini
Ano: 2007
Especificações: Brochura | 272 páginas
ISBN: 13: 9788573514131
 Sinopse
Dizem que os super-heróis mantêm a identidade secreta para proteger seus entes queridos. O Homem-Elástico é um dos poucos cuja identidade é conhecida pelo público. Quando sua esposa é cruelmente assassinada no próprio lar, a tragédia atinge em cheio a comunidade de heróis. Unidos por seu ideal de combate ao crime, todos os vigilantes começam a vasculhar o país em busca de pistas e suspeitos. Mas Arqueiro Verde, Canário Negro, Gavião Negro, Eléktron e Zatanna ficam para trás, protegendo um segredo que, se revelado, pode modificar para sempre a relação entre heróis e vilões. Crise de Identidade foi sucesso de público e crítica, mudando para sempre o modo como olhamos para o universo dos super-heróis.

Intitulada como 'Crise de Identidade', essa é uma minissérie que narra uma perigosa empreitada dos famosos heróis da DC em busca de descobrir quem é o assassino misterioso que tirou a vida de Sue Dibny, a esposa do Homem Elástico. Dessa forma, Arqueiro Verde e outros membros da Liga juntam-se no luto para solucionar o crime e impedir que novas mortes venham a acontecer. Mas segredos sombrios estão prestes a serem revelados e a estabilidade do grupo pode estar perto de se abalar.

Esse, como eu disse, é o primeiro grande arco da DC com o qual tenho contato, e sinceramente, não tenho como descrevê-lo se não como perfeito. 'Crise de Identidade' ressalta um mistério quase policial muito envolvente através de sete volumes que descrevem com eficiência todo o carácter humano desses personagens que surgem da fantasia. Até mesmo os alienígenas, como Caçador de Marte e Superman, trazem uma presença mais emotiva e humanizadora. Fiquei preso na narrativa desde o primeiro instante, fosse pela sede incansável de descobrir o causador de tudo, fosse pelo traço lindo que cada volume tem.

  

O roteiro de Brad Meltzer é angustiante e inesperado. E pesado. A história não poupa personagem algum. E nem seus leitores. Apresenta uma realidade brutal e muito sombria sobre a vida de um herói e as decisões que ele precisa tomar frente a tentar proteger aqueles que ama. Essas decisões, muitas vezes parecem contradizer o próprio ato chamado de "heroísmo", beirando o egoísmo. E isso fica muito claro quando ilustrado na figura de um personagem nada convencional como Arqueiro Verde. O que começa como uma caçada policial em busca de um assassino, torna-se uma rede de discórdia que afeta todo um grupo de super poderosos, escondendo cada um, seu próprio segredo. De forma que não tem um só volume que eu não tenha gostado.

Os primeiros minutos da leitura, confesso, foram mais mornos, principalmente porque o plot principal já acontece no final do volume 1, mas daí em diante, o ritmo é muito acelerado e eu engoli os próximos capítulos para descobrir quem era o culpado. Toda a construção para chegar em tal desfecho me deixou de boca aberta. A HQ em si constrói um clima de suspense que vai pegar o leitor de surpresa quando as respostas realmente começarem a acontecer.

NOTA FINAL

Essa minissérie teve forte impacto no universo DC justamente porque inseria retcons, ou novas informações para construir o passado dos personagens, mudando diversos aspectos das histórias antigas.

Sem dúvidas meus volumes favoritos são o 5 e o 6, onde o enfoque do enredo fica mais centrado em Gotham e na dupla Batman e Robin (meus personagens favoritos da DC), sendo o restante narrado geralmente sob o ponto de vista de Ollie (Arqueiro Verde).


Os conceitos dessa HQ valem por si só, principalmente porque a trama explora muito mais o lado humano e dramático dos personagens ao invés do fantástico e poderoso. Mas esteja avisado que não é uma leitura fácil. Possui uma história densa com ilustrações macabras de mortes das mais variadas formas. E foi justamente esse aspecto que mais amei. Ela é realística, crua, e não teme ser ousada.


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